Procuradoria Especial da Mulher do Senado emitiu nota de apoio a senadora Regina Sousa (PT) que foi vítima de críticas feitas pela jornalista Joice Hasselmann, que chamou a petista de “semianalfabeta”.
Na nota, a Procuradoria afirmou que “Ante à repercussão negativa, e os rumores de que poderia sofrer processo judicial, a blogueira perdeu a oportunidade de se desculpar e retratar”.
As críticas em questão foram feitas por Hasselmann durante o discurso de Regina Sousa no dia 29 de agosto, no Senado Federal, em que a senadora defendia a ex-presidente Dilma Rousseff, cassada pela casa na última quarta-feira (31). No vídeo, por diversas vezes, a jornalista afirmou que a senadora é “semianalfabeta”, "uma criatura cretina” e a chamou de “anta", que só fala “asneiras”.
- Foto: Jefferson Ruddy
Regina Sousa em discurso no Senado
Na ocasião, Regina Sousa afirmou que iria ingressar na Justiça contra a jornalista. "Não vou ficar dando ‘corda’... Nem jornalista ela é, ela estava ali dentro sem credenciamento, isso já mostra o caráter dela. O advogado vai fazer o que acha que deve", disse a senadora ao GP1.
Dias depois, Joice Hasselmann publicou um novo vídeo em “resposta a uma anta petralha e seus vassalos”, onde ela negou que seja preconceituosa e afirmou que as críticas foram aos discurso da piauiense. A jornalista disse que descobriu que Regina Sousa substituiu outro senador que saiu do cargo, no caso o governador Wellington Dias (PT) e destacou que não respeita uma senadora que entrou pela porta dos fundos. “Descobri que ela é biônica e agora respeito menos ainda, não respeito senador biônico que entrou pela porta dos fundos, que não teve um único voto, que defende um projeto cretino”, disse.
Enquanto isso, Regina Sousa evita comentar o assunto. No último sábado (03), em postagem na sua página no facebook, a senadora ressaltou a publicação de trecho do seu discurso no periódico The New York Times, citou Joice Hasselmann. “Como é a vida, né? Enquanto a loura desdenha do meu discurso o The New York Times publica trecho dele em inglês e traduzido”, ironizou a petista.
Confira a nota da Procuradoria na íntegra
A Procuradoria Especial da Mulher do Senado manifesta apoio irrestrito às Senadoras Regina Sousa (PT-PI), Fátima Bezerra (PT-RN) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), procuradora Especial da Mulher, na última semana.
Brilhantes parlamentares na defesa da justiça e dos direitos humanos no Congresso, elas viraram notícia após serem alvo de ataques, verbais e físicos, virtuais e reais, em decorrência de sua atuação no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Sob o título “Inacreditável o que estamos ouvindo agora”, uma blogueira publicou vídeo no Youtube, comentando a arguição de Regina Sousa à presidente, no dia 29 de agosto.
O discurso da senadora é várias vezes desqualificado pelos comentários da blogueira, eivados de termos pejorativos e reveladores de acentuado grau de preconceito.
A blogueira se refere a Regina como “gentalha” e como “senadora biônica”, termo ironicamente cunhado para indicar senadores indicados pelo Executivo durante a ditadura militar, contra a qual Regina Sousa tanto lutou.
O vídeo atingiu quase 90 mil visualizações.
Ante à repercussão negativa, e os rumores de que poderia sofrer processo judicial, a blogueira perdeu a oportunidade de se desculpar e retratar.
Em lugar disso, voltou à carga contra a senadora, mais duas vezes, em vídeos intitulados “Resposta a uma Anta Petralha e seus Vassalos” e “Vassalos Petralhas: agora é Debate e Justiça!”, este último, sábado, 3 de setembro.
Parte dos comentários agressivos da blogueira também alcançam a senadora Fátima Bezerra, outra parlamentar de indiscutível currículo em defesa de causas populares, progressistas e cidadãs.
Já no dia 31 de agosto, quando a desembarcava de voo em Curitiba-PR, após as votações finais no processo de impeachment, a senadora Vanessa Grazziotin foi agredida verbal e fisicamente, a ponto de ter o seu celular arrancado com um soco, quando começou a filmar a atitude do agressor.
Deve-se lembrar que das 27 unidades da federação, apenas 13 têm senadoras e nenhuma tem mais de uma. A aguerrida presença no Parlamento de mulheres destemidas, inaceitável para muitos, é um exemplo para todas e todos nós.
Em defesa das senadoras, dirigimos nosso repúdio a estas agressões que atingem a grande parcela da nação brasileira discriminada por raça, classe e gênero.
Procuradoria Especial da Mulher
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