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Piauí

Desembargador vota para tornar réu promotor Maurício Verdejo por exigir propina de R$ 2 milhões

O desembargador Ricardo Gentil Eulálio é o relator do processo. A audiência aconteceu dia 18 de agosto.

O desembargador Ricardo Gentil Eulálio Dantas, relator do processo contra o promotor de Justiça Maurício Verdejo Gonçalves Júnior e seu assessor ministerial, o advogado André Ricardo Bispo Lima, manifestou-se favorável ao recebimento da denúncia do Ministério Público do Estado do Piauí por parte do Tribunal de Justiça do Piauí. A acusação aponta que os réus teriam exigido propina de R$ 2.000.000,00 do empresário Junno Pinheiro Campos Sousa para arquivar um Procedimento Investigatório Criminal em agosto de 2024, envolvendo os crimes de concussão, prevaricação, supressão de documento e tráfico de influência.

O relator apresentou a denúncia durante a 176ª sessão ordinária judicial do TJ-PI, ocorrida no dia 18 de agosto deste ano. Após sua manifestação favorável, o desembargador Pedro de Alcântara da Silva Macêdo pediu vistas do processo, o que suspendeu a análise pelo colegiado. Os demais desembargadores só poderão apresentar voto após o término do período de vistas, adiando a decisão final sobre o recebimento da denúncia.

Foto: GP1 (imagem exclusiva)Promotor titular da 6ª Promotoria de Picos, Maurício Verdejo Gonçalves Júnior
Promotor Maurício Verdejo Gonçalves Júnior

Denúncia do MP

O Ministério Público, por meio do subprocurador João Malato Neto, denunciou formalmente o promotor e seu assessor, detalhando que os acusados exigiram propina de R$ 2 milhões do empresário para arquivar o procedimento investigatório. A investigação apontou que o pagamento seria realizado em parcelas, sendo a primeira de R$ 500.000,00 entregue na residência do promotor em 2 de agosto de 2024, e a segunda, também de R$ 500.000,00, no dia 7 de agosto, ocasião em que a Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão.

Durante a operação, a PF encontrou R$ 896.000,00 em posse de Maurício Verdejo. Na residência do assessor ministerial, foram apreendidos inicialmente R$ 600,00 e posteriormente outros R$ 10.000,00 que haviam sido repassados a terceiros. As medidas ocorreram após confirmação do pagamento das propinas, buscando localizar integralmente os valores ilícitos exigidos dos investigados.

O caso envolve a 6ª Promotoria de Picos, onde tramitava o Procedimento Investigatório Criminal contra Junno Pinheiro. O subprocurador João Malato solicitou ao Tribunal de Justiça a decretação da perda do cargo do promotor com base no artigo 92, inciso I, do Código Penal, que prevê a perda de cargo público em caso de condenação por crimes cometidos com abuso de poder ou violação de deveres da administração pública, desde que a pena privativa de liberdade seja igual ou superior a um ano.

Operação Iscariotes

No dia 7 de agosto, a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da Operação Iscariotes, cumprindo mandado de busca e apreensão na residência do promotor em Teresina, onde foram apreendidos aproximadamente R$ 900 mil em espécie. A investigação teve início após denúncia de Junno Pinheiro, que relatou ter sido abordado pelo promotor em um restaurante e pressionado a pagar para cessar a investigação.

Em depoimento à PF, o empresário informou que Maurício Verdejo afirmou possuir “apoio e muita força” no Poder Judiciário, garantindo que qualquer recurso movido por ele “iria parar em desembargador ou em juiz ligado” ao promotor. Esses elementos foram incorporados ao processo como parte das provas que fundamentam a denúncia apresentada pelo Ministério Público.

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