Fechar
GP1

Piauí

Saiba como atuava o grupo preso pela Polícia Federal acusado de fraudes contra a Caixa Econômica em Teresina

Os suspeitos de integrarem o esquema foram alvos da Operação Hydra, deflagrada pela PF em 6 de fevereiro.

A Polícia Federal desarticulou, no início deste mês, um grupo criminoso estruturado que atuava de forma organizada em Teresina na prática de fraudes bancárias, falsificação de documentos e obtenção ilícita de valores junto a instituições financeiras, principalmente a Caixa Econômica Federal. Os suspeitos de integrarem o esquema criminoso foram alvos da Operação Hydra, deflagrada no dia 6 de fevereiro.

No âmbito da investigação, a Justiça Federal expediu mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão preventiva em desfavor dos seguintes investigados: Brendo Henrique de Andrade Pereira, Douglas Soares Bacelar, Guilherme Francisco da Silva Carvalho Cruz, Vinícius Cardoso dos Santos e Walbert Pereira da Silva.

Foto: GP1Caixa Econômica Federal
Caixa Econômica Federal

O GP1 obteve acesso à decisão judicial que decretou as prisões, assinada pelo juiz Agliberto Gomes Machado. O documento revela detalhes do esquema criminoso.

A apuração teve início após uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal (PRF) a um veículo em Teresina, em novembro de 2024, quando Vinícius dos Santos e Walbert da Silva foram conduzidos à sede da PF, sob suspeita de envolvimento em fraudes. Durante a fiscalização, um dos ocupantes do carro apresentou documento falso e acabou confessando a verdadeira identidade.

Nas buscas realizadas no veículo, os policiais rodoviários encontraram indícios típicos de falsificação documental, como acetona, algodão, papel adesivo e impressões de cédulas de identidade. Também foram apreendidos diversos cartões bancários em nome de terceiros, o que reforçou a suspeita de atuação criminosa. A partir do material apreendido, incluindo aparelhos celulares, a polícia chegou aos demais suspeitos.

Organização estruturada

O aprofundamento da investigação revelou a existência de uma organização criminosa com divisão de tarefas e uso de codinomes. Segundo a PF, o grupo atuava em quatro frentes principais: produção de documentos falsos, incluindo CNHs digitais e identidades; interceptação de correspondências para subtrair cartões bancários; uso fraudulento de sistemas, como reset de contas Gov.br e manipulação de dados previdenciários para obtenção de empréstimos consignados; além da aquisição de bens de alto valor, indicando possível lavagem de dinheiro.

Segundo a PF, o grupo monitorava a entrega de correspondências para interceptar cartões bancários. Em trocas de mensagens, investigados relatavam observar carteiros e tentar acessar caixas de correio em condomínios para obter os cartões antes dos destinatários.

De posse dos cartões e documentos falsos, os suspeitos realizavam fraudes bancárias e previdenciárias. Também há registros de conversas sobre como tornar as identidades falsas “visualmente convincentes” para evitar suspeitas em atendimentos na Caixa Econômica.

As investigações identificaram ainda comprovantes de transferências via Pix para operadores de “reset” de contas e para aquisição de bens de alto valor, o que reforçou a suspeita de lavagem de dinheiro.

A PF individualizou as supostas condutas dos investigados da seguinte forma:

Brendo Henrique de Andrade Pereira – De acordo com as autoridades, é especializado na falsificação de documentos e era responsável pela criação de CNHs digitais falsas e pela interceptação de correspondências para obtenção ilícita de cartões. Possui robusto histórico criminal, incluindo roubo e associação criminosa;

Douglas Soares Bacelar – Conforme os autos, desempenhava a função de operador financeiro do grupo. É apontado como detentor de R$ 1,3 milhão em criptoativos oriundos das atividades fraudulentas, indicando a dimensão financeira das operações;

Guilherme Francisco da Silva Carvalho Cruz – Seria responsável por compras fraudulentas de mercadorias de alto valor, utilizando links de pagamento e identidades falsas. Sua chave PIX foi identificada em transações ilícitas, demonstrando movimentação de valores obtidos ilegalmente;

Vinícius Cardoso dos Santos – Apontado como o principal articulador/coordenador do grupo criminoso. Sua atuação incluía a orientação direta para a confecção de documentos falsos, a interceptação de cartões e o envolvimento em compras fraudulentas de mercadorias (sugerindo lavagem de dinheiro). Segundo a investigação, ele também utilizava terceiros, chamados de “atores”, para se passarem por titulares legítimos de contas e beneficiários de programas sociais;

Walbert Pereira da Silva – Seria o responsável pela logística das fraudes, incluindo o transporte de documentos e auxílio operacional. Estava envolvido na busca por documentos falsos, e há indícios de que utilizava idosos como “laranjas” no processo fraudulento.

Diante dos indícios, a Justiça Federal decretou as prisões e autorizou mandados de busca e apreensão para coleta de celulares, computadores, mídias digitais, documentos e bens de valor possivelmente ligados aos crimes.

Mais conteúdo sobre:

Ver todos os comentários   | 0 |

Facebook
 
© 2007-2026 GP1 - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do GP1.