Fechar
GP1

Piauí

Justiça do Piauí condena família ligada ao Comando Vermelho a mais de 150 anos de prisão

Os réus foram denunciados por desempenharem funções específicas dentro da organização criminosa.

A Justiça do Piauí condenou os membros de uma família acusada de integrar núcleo criminoso da facção Comando Vermelho com atuação no litoral do estado, principalmente nas cidades de Parnaíba, Cajueiro da Praia, Ilha Grande, Luís Correia e Cocal. Os réus foram denunciados pelo Ministério Público (MP-PI) por desempenharem funções específicas dentro da organização criminosa, apontada como responsável pelo tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, homicídios e roubos praticados na região.

A denúncia teve como base crimes previstos na Lei de Drogas (Lei nº 11.343/2006), na Lei de Organização Criminosa (Lei nº 12.850/2013) e na Lei de Lavagem de Dinheiro (Lei nº 9.613/1998), evidenciando a atuação estruturada do grupo.

Adriano do Amaral de Sousa, Antônia Patrícia Fontenele de Lima, Ana Paula Gomes e Israel Nascimento de Paulo foram condenados, ao todo, a mais de 156 anos de prisão. Na decisão proferida em 03 de fevereiro, o juiz José Carlos da Fonseca Lima Amorim, da 2ª Vara Criminal da Comarca de Parnaíba, calculou a pena de cada réu individualmente, correspondendo à gravidade dos crimes que lhe foram imputados. As penas deverão ser cumpridas inicialmente em regime fechado, sendo que o líder do grupo poderá ser encaminhado a estabelecimento prisional de segurança máxima ou presídio federal.

Foto: GP1Tribunal de Justiça do Piauí
Tribunal de Justiça do Piauí

Chefe do núcleo foi condenado a 73 anos de prisão

Conforme a investigação policial, Adriano do Amaral, vulgo Pavão ou Lourão, chefiava o grupo desde o ano de 2019, atuando por meio de uma ampla rede de traficantes locais, arrecadando valores elevados com o narcotráfico. Ele também foi acusado de usar contas bancárias de “laranjas”, comprar imóveis, veículos e constituição de empresas para lavar o dinheiro ilícito.

Dessa forma, o líder do núcleo da facção foi condenado a 73 anos, 08 meses e 16 dias de reclusão e 3.898 dias-multa pelos crimes de associação para o tráfico, lavagem de dinheiro em concurso material e organização criminosa.

Foto: Divulgação/Polícia CivilAdriano do Amaral de Sousa
Adriano do Amaral de Sousa

O denunciado também é apontado como o mandante de diversos homicídios no Piauí, como o da empresária Kariane Lima Veras, ocorrido em 02 de maio de 2022 na cidade de Piripiri. A vítima era irmã de Ivan Lima Veras, ex-faccionado do Comando Vermelho conhecido como “Presidente”, e está desaparecido desde maio de 2021, quando mantinha relacionamento amoroso com Antônia Bruna do Amaral de Sousa (vulgo Bruna Malvadona), irmã de Adriano.

Investigações apontaram que o crime foi motivado por divergências entre a empresária e o chefe do núcleo criminoso sobre o patrimônio deixado pelo irmão após seu desaparecimento. Além disso, Kariane Lima também teria desenvolvido vínculos de associação com a facção Primeiro Comando da Capital (PCC), rival do Comando Vermelho.

Esposa de Adriano recebia Bolsa Família e lavava dinheiro do tráfico

Antônia Patrícia Fontenele de Lima é esposa de Adriano do Amaral, chefe do núcleo criminoso. Sua atuação e participação envolviam auxiliar o marido no recebimento de pagamentos pela negociação de drogas e promover atos para ocultar a origem ilícita do patrimônio.

Nas movimentações bancárias analisadas no período de 2019 a 2020, foi demonstrado que o perfil financeiro que ela ostentava na época não era compatível com sua renda, pois era beneficiária do Programa Bolsa-Família e do Auxílio Emergencial. Mesmo assim, comprava joias, veículos e imóveis na cidade de Parnaíba.

“A denunciada Antônia Patrícia Fontenele de Lima registrava em seu nome próprio imóveis e veículos comprados pelo denunciado Adriano Amaral de Sousa com o dinheiro do narcotráfico, como forma de ocultar tanto o fato de que este [Adriano] era o real proprietário desses bens, como a origem ilícita dos valores utilizados para sua aquisição”, diz trecho da ação.

Diante desses elementos, ela foi condenada 36 anos, 01 mês e 22 dias de reclusão e 2.198 dias-multa por associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Cunhada também estava envolvida no esquema

No núcleo criminoso da facção Comando Vermelho liderado por Adriano, também figura como participante Ana Paula Gomes, casada com o irmão do chefe do esquema, Adeilson Amaral de Sousa. Ela, assim como Antônia Patrícia, recebia os pagamentos pela negociação de drogas e atividades para ocultar a origem ilícita.

Ela foi condenada a 15 anos, 09 meses e 10 dias de reclusão e 613 dias-multa por lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Foto: Alef Leão/GP1Dinheiro em espécie
Dinheiro em espécie

Laranja do núcleo criminoso também foi condenado

Israel Nascimento de Paulo é companheiro da mãe de Adriano, Hilda Francisca do Amaral Sousa (vulgo Hilda Furacão), e é apontado como laranja do grupo criminoso, pois cedia conscientemente seu nome para ocultação de parte do patrimônio oriundo das atividades desenvolvidas pela facção Comando Vermelho no litoral do Piauí.

A partir do ano de 2019, ele apresentou evolução patrimonial incompatível com o perfil financeiro formal na época, quando era beneficiário do Auxílio Emergencial. Ele figura como sócio da empresa Paulo e Sousa LTDA. ao lado de Adriano Amaral, líder do núcleo da organização criminosa. A pessoa jurídica possui nome de fantasia “Talo Verde” e foi cadastrada junto à Receita Federal em 20 de setembro de 2021 com capital social declarado de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais).

O réu também teria adquirido para o enteado um veículo modelo Toyota Hilux, um Fiat Mobi e uma carabina de marca Taurus, calibre .40 S&W. Ele foi condenado a 30 anos e 10 meses de reclusão e 1.085 dias-multa por lavagem de dinheiro simples e qualificada em concurso material e organização criminosa.

Na decisão, o magistrado rejeitou a todos os réus a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos e da suspensão condicional da pena. Nessa mesma ação penal também era réu Antônio Nilson do Amaral de Sousa, vulgo Júnior Roco ou Matuto, mas ele foi absolvido de todos os crimes que lhe foram imputados.

Ver todos os comentários   | 0 |

Facebook
 
© 2007-2026 GP1 - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do GP1.