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Tony Trindade é transferido da PF para a penitenciária Irmão Guido

Ele está no módulo familiar, um local reservado apenas para os dias de visita íntima, mas que foi disponibilizado para o jornalista, a fim de que ele não ficasse detido em cela comum da unida

O jornalista Tony Trindade, preso pela Polícia Federal durante a Operação Acesso Negado deflagrada nessa terça-feira (18), foi transferido ainda na tarde de ontem para o sistema prisional do Estado, na Penitenticiária Irmão Guido, onde cumpre prisão preventiva.

A prisão foi decretada pelo juiz Leonardo Tavares Saraiva, da 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Piauí, como garantia da ordem pública e por conveniência da instrução criminal, com previsão nos artigos 311 e 312 do Código de Processo Penal, atendendo requerimento do Ministério Público Federal. Tony Trindade está no módulo familiar, um local reservado apenas para os dias de visita íntima, mas que foi disponibilizado para o jornalista, a fim de que ele não ficasse detido em cela ou pavilhão da unidade prisional.

  • Foto: Reprodução/FacebookTony TrindadeTony Trindade

De acordo com a Polícia Federal, Itamir José de Sousa Trindade é acusado de atrapalhar investigações da Operação Delivery, que apura desvio de recursos públicos do Fundeb destinados à Prefeitura de União, que tem como gestor o prefeito Paulo Henrique.

Segundo o chefe da Delegacia Repressão a Corrupção e Crimes Financeiros (DELECOR), delegado Alan Reis, Tony Trindade estava obtendo informações de caráter sigiloso, orientando os investigados da Operação Delivery na tentativa de, segundo a Polícia Federal, “manipular as provas a serem juntadas no inquérito”.

“A gente apresentou à Justiça de forma bem clara com provas de que esse jornalista estava realizando monitoramento diário das investigações, estava obtendo informações de caráter sigiloso, onde só seria possível através de um acesso ao processo judicial, que é sigiloso. Essa mesma pessoa estava orientando um dos investigados para que se reunisse com testemunhas e outros investigados para que apresentassem depoimentos convergentes, o que demonstra a intenção de manipular as provas a serem juntadas no inquérito. Ele fala em atos intimidatórios, é uma coisa forte você falar isso no intuito de minimizar as investigações. Ainda vamos investigar se é para intimidar a polícia ou a população. Os dois advogados que foram alvo de busca tentaram acessar de forma ilegal processos judiciais, mas o ato deles foi só isso. É grave, mas não tanto como os fatos como o do jornalista”, explicou o delegado Alan Reis.

  • Foto: Divulgação/PRF-PIDelegado Allan ReisDelegado Allan Reis

Provas descartadas

Conforme o delegado Allan Reis, os investigados da Operação Delivery foram avisados antecipadamente da ação policial, e por esta razão, provas foram destruídas. “O que a gente percebeu é que foram depoimentos convergentes [dos investigados da Delivery]. Uma mesma versão apresentada de forma bem pontual e uma situação peculiar que ocorreu foi que, na data que a gente protocolou pedidos à Justiça, nesta mesma data os investigados foram informados que haveria operação. O que prejudica bastante o trabalho policial, houve destruição de provas, celulares que foram descartados. Devido a atos de um dos investigados o trabalho da polícia foi atrapalhado”.

Como ocorreu o acesso

“O servidor tem acesso a senha e processos sigilosos tem acesso mais ainda. A investigação com análise do material, com as oitivas, tem como objetivo saber como ocorreram os acessos e que nível tais acessos ocorreram também”, contou Alan.

O delegado reiterou que Tony Trindade realizou encontros com investigados da Delivery no intuito de manipular depoimentos. “Não foi só esse monitoramento. Não foi um ato pontual que ocorreu. A reiteração do monitoramento de uma investigação judicial com acesso indevido a um acesso judicial sigiloso, estar se encontrando com investigados a fim de manipular. Isso é gravíssimo. Você não sabe se o agente público foi identificado. A polícia não está aqui para passar a mão na cabeça de ninguém, seja jornalista, advogado ou servidor público”.

Oito anos de cadeia

De acordo com a superintendente da Polícia Federal no Piauí, Mariana Paranhos, os investigados da Operação Acesso Negado podem pegar até 8 anos de prisão.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Superintendente Regional da Polícia Federal, Mariana ParanhosSuperintendente Regional da Polícia Federal, Mariana Paranhos

“Até o momento já foram identificadas participação de advogados e jornalista, além dos beneficiários com essa estratégia. A conduta é grave, a pena pode chegar a 8 anos de prisão. O vazamento de informação sigilosas coloca em risco o processo policial, mas também coloca em risco a vida e a integridade física dos envolvidos em cada uma das etapas da investigação”, ressaltou a superintendente.

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