O celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, tornou-se um dos principais focos das investigações sobre suspeitas de crimes financeiros envolvendo a instituição. Mesmo sem a colaboração do empresário, que se negou a fornecer a senha, peritos da Polícia Federal conseguiram acessar todo o conteúdo do aparelho, segundo a colunista Mirelle Pinheiro.
A perícia foi realizada por equipes de informática forense, especializadas em dispositivos bloqueados ou criptografados. A tecnologia empregada permitiu romper camadas de segurança e gerar uma cópia completa da memória do celular, incluindo mensagens, registros de chamadas, fotos, vídeos, documentos e arquivos apagados.
Na rotina pericial, o celular é tratado como evidência sensível. Após a apreensão, ele é isolado para evitar exclusão remota de dados. Ferramentas como Cellebrite, de Israel, e GreyKey, dos Estados Unidos, foram usadas para extrair o conteúdo, explorando vulnerabilidades do sistema. Quando métodos convencionais não funcionam, os peritos podem recorrer à técnica física de “chip off”, retirando diretamente o chip de memória para leitura externa. No caso de Vorcaro, a perícia foi realizada no Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, em ambiente controlado.
Durante a análise, a PF identificou menções ao ministro Dias Toffoli em mensagens entre Vorcaro e o cunhado, com referências a pagamentos ligados ao resort Tayayá, que teve participação de empresas de familiares do ministro. O relatório produzido é técnico, sem pedido de suspeição, e cita apenas dispositivos do regimento interno do STF sobre impedimento de magistrados. Toffoli afirmou que as informações se baseiam em ilações.
Diante do contexto institucional, a relatoria do inquérito envolvendo o Banco Master foi transferida para o ministro André Mendonça, que já iniciou tratativas com a Polícia Federal para se inteirar do conteúdo da perícia e dos próximos passos da investigação.
Izabella Furtado
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