A Polícia Federal ( PF ) vai investigar a suspeita de que parte dos recursos destinados à produção do filme "Dark Horse", que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro ( PL ), tenha sido utilizada para custear a permanência do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos .
A abertura do inquérito foi autorizada pelo ministro André Mendonça , do Supremo Tribunal Federal ( STF ), após pedido da Polícia Federal com parecer favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonet .
Eduardo Bolsonaro mudou-se para os Estados Unidos em 2025, alegando perseguição política por parte do ministro Alexandre de Moraes. O ex-deputado nega ter recebido qualquer recurso da produção do filme e também responde no STF a uma ação por suposto crime de coação, sob relatoria de Moraes.
Além da suspeita envolvendo Eduardo Bolsonaro, a investigação também apurará um repasse de R$ 61 milhões atribuído ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do liquidado Banco Master. O valor teria sido transferido após cobranças feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o pagamento de parcelas de um investimento de R$ 134 milhões destinado à produção do longa.
Segundo a Polícia Federal, será necessário verificar se os recursos tiveram a destinação informada ou se parte do dinheiro foi utilizada para outras finalidades.
As informações reunidas pela corporação indicam que os recursos foram transferidos pela empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Daniel Vorcaro , para um fundo sediado no estado do Texas, nos Estados Unidos. O objetivo do inquérito é verificar se a movimentação financeira correspondeu à finalidade declarada.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades
Após a divulgação do caso, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro negou qualquer relação entre os recursos e a permanência do irmão nos Estados Unidos.
Em nota, o parlamentar classificou como falsa a informação de que o dinheiro teria sido destinado a Eduardo Bolsonaro e afirmou que os valores foram direcionados a um fundo específico da produção cinematográfica, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos.
Flávio também declarou, em maio, que solicitaria à produção uma prestação de contas para comprovar que todo o dinheiro investido por meio do fundo foi aplicado exclusivamente na realização do filme. Até o momento, porém, esse detalhamento não foi apresentado.
Investigação
O caso também foi alvo de um pedido de investigação apresentado ao STF pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). Na ocasião, a Procuradoria-Geral da República (PGR) opinou pelo arquivamento da solicitação.
Em junho, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, definiu André Mendonça como relator responsável pelo caso, que agora será apurado pela Polícia Federal.