Fechar
GP1

Política

Governo leva PRB ao ministério para blindar Fernando Haddad de "ataque evangélico"

Senador Marcelo Crivella, bispo da Universal, assume a Pesca no lugar do petista Luiz Sérgio; PT teme que entrada de Serra nas eleições reacenda debate religioso de 2010.

Em um claro sinal de que o Palácio do Planalto entrou em campo na disputa pela Prefeitura de São Paulo, a presidente Dilma Rousseff anunciou o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) como o novo ministro da Pesca. Bispo da Igreja Universal, Crivella substitui o petista Luiz Sérgio, que voltará para a Câmara. A expectativa do governo é que a troca sirva como uma vacina para blindar o candidato do PT à Prefeitura, Fernando Haddad, na esperada "guerra santa" da campanha eleitoral.

O governo e a cúpula do PT avaliam que a entrada do ex-governador José Serra (PSDB) na corrida pela sucessão do prefeito Gilberto Kassab (PSD) levará à campanha paulistana temas que estimulam o confronto entre católicos e evangélicos, como legalização do aborto, casamento gay e kit anti-homofobia.

O movimento de Dilma, articulado com o aval do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também poderá tirar do páreo paulistano, mais adiante, o ex-deputado Celso Russomanno, pré-candidato do PRB à Prefeitura e líder nas pesquisas de intenção de voto. Partido do vice-presidente José Alencar, morto no ano passado, o PRB é da base aliada do governo, mas não tinha cadeira na Esplanada. A bancada do partido tem só 10 deputados, o que não explicaria, isoladamente, a concessão de um ministério apenas para amarrar o PRB à coalizão governamental.

"Minha candidatura está mantida. Inclusive a presidenta Dilma, assim como o presidente Lula, tem conhecimento disso", disse Russomanno, acrescentando que o PRB tem compromisso com o governo federal, e não com o PT de São Paulo.

Crivella nega que sua missão seja a de reduzir atritos com os evangélicos e formar uma rede de proteção em torno de Haddad. "Sou indicado do PRB, e não da bancada evangélica."

No segundo turno da campanha presidencial de 2010, porém, o senador foi chamado às pressas para conter uma rebelião de bispos e pastores, e Dilma teve de assinar a "Carta ao Povo de Deus", negando que pretendesse mudar a legislação sobre o aborto, como dizia Serra.

Ver todos os comentários   | 0 |

Facebook
 
© 2007-2026 GP1 - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do GP1.