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Política

Prefeitura dá atenção vip a paciente que criticou Saúde em programa de Fernando Haddad

Consulta médica foi antecipada; diretoria o acompanhou e caminhoneiro até fez exame não coberto pelo SUS.

O caminhoneiro José Machado teve antecipada uma consulta com oftalmologista agendada anteriormente para o dia 26 de dezembro. Ele e a mulher, Natalice Aleixo Santos, não enfrentaram fila. Exames foram feitos e o diagnóstico saiu em 2h30. "O médico disse que detectaram pterígio e catarata", disse ela.

Machado protagonizou um quadro do programa de TV da campanha do candidato do PT à Prefeitura, Fernando Haddad, no qual dizia estar esperando por uma cirurgia de catarata por dois anos. Para contradizer o petista, a Prefeitura levantou dados do prontuário médico de Machado e, após questionada, revelou datas de atendimento na rede e disse que ele, na verdade, sofria de pterígio - crescimento de tecido sobre a córnea. Segundo especialistas ouvidos pelo Estado, a divulgação dos dados pela Prefeitura pode caracterizar quebra de sigilo médico.

Participaram do atendimento o diretor técnico do hospital, Pedro Cardoso, o gerente administrativo do Instituto Cema (braço do hospital que atende pelo SUS), Edgar Escobar, e assessores de imprensa do Cema. O vereador Carlos Neder (PT), coordenador de planejamento de saúde de Haddad, também esteve lá, a convite da mulher de Machado.

O prefeito Gilberto Kassab (PSD) questionou o depoimento de Machado e citou o fato de Natalice ser membro do conselho gestor da UBS Guaianases 1, unidade em que o caminhoneiro foi atendido. "Ela representa os trabalhadores lá; deveria ter boa orientação."

Na série Entrevistas Estadão, Haddad afirmou que Machado prestou o depoimento "voluntariamente", disse não saber da ligação de Natalice com a UBS e defendeu a informação divulgada no programa de tevê.

"Ele foi informado pela Prefeitura que sofre de catarata. Agora a Prefeitura está mudando o diagnóstico que deu a ele", disse Haddad. "São dois casos graves que precisam ser apurados: se ele foi ou não informado corretamente do mal que sofre; e se a Prefeitura, ao quebrar o sigilo médico dele, divulgou erradamente."

Exames. Entre outros procedimentos, que o caminhoneiro não soube detalhar e o corpo médico não quis informar, Machado passou por uma Biometria Ultrassônica, exame que, segundo a Secretaria de Saúde, não é coberto pelo SUS. O procedimento custa R$ 250 e foi pago pelo Cema, segundo o diretor clínico, Leandro Franchi. Segundo o hospital, o encaixe foi um pedido da secretaria - procurada, a pasta não respondeu até 20h30.

Para o diretor do Cema, a divulgação de informações pela secretaria não violou a ética médica. Franchi negou envolvimento com o caso. "Não foi por aqui que a secretaria obteve essas informações. Deve ter sido por meio do encaminhamento da UBS", afirmou.

Machado diz não ter autorizado a divulgação de seu prontuário. Nessa quinta, assessores do Cema tentaram convencê-lo a assinar um documento que autoriza a divulgação de dados médicos - ele não assinou. A secretaria disse desconhecer o documento.

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