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Política

Senado deve aprovar hoje PEC das empregadas domésticas

Proposta de Emenda Constitucional cria 17 novas regras para a categoria, como jornada de 8 horas e pagamento de hora extra.

O Senado deve aprovar hoje a proposta que dá novos direitos trabalhistas aos empregados domésticos, igualando-os aos demais trabalhadores privados. A mudança, que consta de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), já foi aprovada em duas votações na Câmara e uma no Senado. Passando hoje, ela será promulgada até 10 de abril e já passará a valer.

A proposta estabelece 17 novas regras, como jornada de trabalho de 8 horas diárias e 44 horas semanais, além de pagamento de hora extra de, no mínimo, 50% da hora extra normal. Os direitos vão se somar àqueles já existentes, como 13.º salário, descanso semanal, férias anuais e licença-gestante.

Há sete itens que, para entrar em vigor, dependem de mais regulamentação. Um dos grandes pontos de discussão é sobre as formas de controle do horário de trabalho. Há quem fale em adotar uma simples folha de ponto para resolver a questão, mas isso ainda precisa ser decidido em norma posterior. Outra polêmica é sobre o adicional noturno. Autor da proposta, o deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT) não estabeleceu parâmetros no texto, mas propõe que o trabalhador receba adicionais quando estiver à disposição do patrão, ainda que em seus aposentos.

Também pendentes de regulamentação estão o direito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), hoje facultativo, o seguro contra acidentes de trabalho, o seguro-desemprego, a obrigação de creches e pré-escolas para filhos e dependentes até seis anos de idade, o salário família e a demissão sem justa causa.

Especialistas do próprio Senado concordam que a matéria é polêmica e vai tornar ainda mais complexa a relação de empregador e empregados domésticos. O consultor legislativo da Casa especializado em Direito do Trabalho e Previdenciário Eduardo Modena vê como consequência à aprovação um aumento das ações trabalhistas na Justiça do Trabalho.

"É inevitável, não apenas pela dificuldade que algumas famílias terão em seguir as novas normas, mas porque a matéria foi muito divulgada e, agora, muitos empregados domésticos que antes não sabiam de seus direitos agora sabem", destacou.

Sobre o FGTS, Modena destacou que já existe uma legislação a respeito e a regulamentação seria simples. "Basta mudar o "facultativo" para "obrigatório"", avaliou.

Para os patrões, a grande preocupação é o aumento de custos que a PEC deve trazer. O consultor legislativo do Senado calcula que o impacto para o empregador seja de pelo menos 8%, caso não sejam pagos hora extra nem adicional noturno. Segundo especialistas em direito trabalhista, a mudança na legislação pode levar fazer com que o orçamento familiar sofra um impacto de até 40%.

Custo. Um cálculo do escritório Mascaro Nascimento Advocacia Trabalhista mostra que uma empregada que recebe o salário mínimo de São Paulo (R$ 755) custa mensalmente R$ 973,95. Se a PEC for aprovada, o valor vai subir para R$ 1.046,09. No caso de quatro horas extras por semana, o custo chega a R$ 1.174,48.

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