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Átila Lira comenta delação premiada dos donos da JBS

“Essa história de eleição direta, isso é um viés político, o país não aguenta seis meses de campanha", declarou.

Em entrevista ao GP1, no final da manhã desta quinta-feira (18), no aeroporto Petronio Portella, o deputado federal Átila Lira (PSB) comentou a delação premiada dos donos da JBS, Joesley e Wesley Batista, que envolve o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves.

Para o deputado, o Brasil não aguenta seis meses de campanha, no caso de eleições diretas: “Essa história de eleição direta, isso é um viés político, o país não aguenta seis meses de campanha. A oposição que está toda na Lava Jato, tá inventando essa história de fazer eleição na rua”, afirmou.

Átila Lira defende a investigação das denúncias: “Esses fatos têm que ser apurados, examinados e punidos quem for o responsável, agora eles mostram uma coisa fundamental, é a afirmação da Justiça, a Justiça para todos. O PT falou muito tempo que a Lava Jato era contra o Partido dos Trabalhadores,e essa decisão do Ministério Público, da Justiça e da Polícia Federal, no sentido se incluir o presidente do PSDB nesse processo, deu uma igualdade de tratamento a todos”, declarou.

Questionado se o seu partido ai deixar a base aliada do Governo Michel Temer, Lira respondeu: “Isso ainda é cedo, essas questões vão ser mais examinadas porque tem dois fatos bem distintos, a origem é uma delação do empresário e ele arrolou nessa delação uma série de pessoas. O presidente da Republica é outra situação, o que tá mais à beira da questão é justamente essa decisão em relação ao Aécio Neves, isso é desagradável, mas é questão da democracia, da igualdade de tratamento para todos”.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Deputado Átila LiraDeputado Átila Lira

Sobre o áudio gravado por Joesley Batista, que mostra o presidente Michel Temer dando aval para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, Átila disse que é relevante, mas que “ainda não foi completamente esclarecido isso, e claro que isso é criminoso”.

“Isso é péssimo para o país, eu não penso em política, o que me preocupa é a desorganização da economia, acho que quem errou tem que ser punido, agora o ruim pra todo mundo é a paralisia que gera um problema desses na economia, os bancos deixam de financiar, não tem crédito para o consumidor, para tudo, é o fim do mundo”, enfatizou.

Em relação à votação da reforma da Previdência, o socialista disse que esse não é o momento: “Não tem clima para nada, enquanto não se der um rumo de qual vai sair a saída, agora qualquer que seja a saída ela será constitucional, se o Temer admitir a criminalidade do fato, ele deve renunciar, aí a constituição diz quem assume e as eleições serão feitas em 30 dias”.

Entenda o caso

Os donos da empresa JBS, os irmãos Joesley e Wesley Batista, gravaram uma conversa em que o presidente Michel Temer aparece dando aval para a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Operação Lava Jato. A informação foi divulgada pelo jornalista Lauro Jardim, do site do jornal O Globo, nesta quarta-feira (17).

Na gravação, feita em março, Temer teria indicado a Joesley o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS). Em nova gravação entregue aos procuradores, o parlamentar foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil que teria sido enviado por Joesley.

Ainda de acordo com O Globo, Joesley teria dito a Temer que estava pagando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada para eles ficarem calados. Os dois estão presos — Cunha em Curitiba e Funaro em Brasília. Diante desta afirmação, Temer teria dito: “Tem que manter isso, viu?”.

O empresário Joesley Batista também gravou áudio em que o presidente do PSDB, o senador Aécio Neves, pede R$ 2 milhões a ele.

Segundo site do O Globo, Aécio fez o pedido com a justificativa de que precisava do dinheiro para pagar despesas com sua defesa na Lava Jato.

Na manhã de hoje, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG) do mandado de senador e do deputado Rocha Loures (PMSB-PR) do mandado de deputado federal.

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