O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), afirmou nesta segunda-feira (22) que a possibilidade de votação do projeto de revisão de penas, relatado por Paulinho da Força (Solidariedade-SP), praticamente desapareceu do Congresso. Segundo ele, as recentes manifestações populares, somadas às sanções aplicadas pelos Estados Unidos a autoridades brasileiras, inviabilizaram qualquer avanço sobre o tema.
Em vídeo, Lindbergh destacou que o presidente da Câmara, Hugo Motta, deve retirar de vez a proposta de anistia da pauta, considerando que o debate perdeu legitimidade diante do cenário atual. O parlamentar também criticou o relator do projeto e apontou que negociações prévias com líderes como Michel Temer e Aécio Neves não conseguiram conduzir a matéria de forma adequada.
As sanções americanas atingiram, entre outros, Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e resultaram na revogação de vistos de autoridades brasileiras, incluindo o advogado-geral da União, Jorge Messias. Para Lindbergh, esse contexto torna “sem sentido” qualquer tentativa de retomar a discussão sobre revisão de penas ou anistia.
O ex-presidente Michel Temer também comentou os efeitos das medidas internacionais. Ele afirmou que é necessário “deixar a poeira assentar” antes de retomar qualquer debate e avaliou que a proposta de Paulinho da Força, voltada à redução da dosimetria da pena, não agrada nem à situação nem à oposição. Enquanto isso, a pauta da Câmara será trancada nesta terça-feira (23) para priorizar o projeto do Executivo sobre licenciamento ambiental.
Caroline Vitorino
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