Uma comitiva de deputados federais da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi aos Estados Unidos para apresentar uma proposta de cooperação bilateral na área de segurança pública e tentar derrubar a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Integraram a comitiva, Pedro Uczai (PT), Jandira Feghali (PCdoB), André Janones (Rede) e Pedro Campos (PSB).
A missão ocorreu entre os dias 3 e 5 de junho e incluiu reuniões com integrantes do Partido Democrata no Capitólio, além de representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
Os deputados levaram aos Estados Unidos um documento contendo dez propostas de cooperação entre os dois países para o enfrentamento ao crime organizado transnacional. Segundo os parlamentares, a iniciativa busca fortalecer a colaboração institucional sem que haja interferência externa nas decisões soberanas do Brasil.
No documento, a comitiva argumenta que uma eventual classificação unilateral das facções brasileiras como organizações terroristas poderia gerar consequências diplomáticas e jurídicas indesejadas.
“A classificação de facções brasileiras como organizações terroristas por decisão unilateral estrangeira cria risco de distorção política, efeitos extraterritoriais indevidos e tensionamento da soberania nacional”, afirma um trecho do texto.
Os deputados defendem que o combate às organizações criminosas seja realizado por meio de cooperação policial, financeira, diplomática e judicial, respeitando a legislação e a jurisdição brasileiras.
Entre as medidas propostas estão a criação de um grupo de trabalho bilateral envolvendo órgãos como a Polícia Federal, o Ministério da Justiça, o FBI e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, além da implementação de um canal permanente de inteligência financeira para rastrear recursos provenientes do crime organizado.
O plano também prevê ações conjuntas para rastreamento de armas de origem americana, formação de equipes integradas de investigação, fortalecimento dos mecanismos de assistência jurídica internacional e ampliação da cooperação com a Interpol.
Outras propostas incluem uma agenda específica para o combate aos crimes ambientais e ao tráfico de drogas na Amazônia, medidas de enfrentamento ao tráfico de pessoas e a adoção de ações internas pelos Estados Unidos para reduzir o fluxo de armas e a demanda por drogas, além de reforçar o combate à lavagem de dinheiro em seu sistema financeiro.
O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), que integrou a comitiva, afirmou que a proposta buscou estabelecer uma cooperação institucional entre os países sem permitir interferências diretas nas políticas brasileiras. “Estamos aqui neste termo de cooperação colocando o que o governo brasileiro pretende. É o intercâmbio que queremos. Não interferência direta dos Estados Unidos, dizendo o que não podemos ou não fazer”, declarou o parlamentar.
Confira abaixo as dez sugestões de colaboração entre os dois países:
- Criação de um grupo de trabalho bilateral com participação de entre outros, a Polícia Federal, ministério da Justiça, FBI e o Departamento de Justiça americano;
- Canal permanente de inteligência financeira;
- Rastreamento de armas americanas
- Equipes conjuntas de investigação;
- Fortalecimento do Tratado de Assistência Jurídica;
- Integração com a Interpol;
- Agenda de combate a crimes na Amazônia;
- Enfrentamento ao tráfico de pessoas;
- Medidas internas nos Estados Unidos: exigência de que o governo americano adote políticas para reduzir o fluxo de armas e a demanda por drogas, além de fiscalizar a lavagem de dinheiro em seu próprio sistema financeiro;
- Mecanismo periódico de prestação de contas entre os dois países.
Wanessa Gommes
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