Em entrevista à TV GP1, o médico cardiologista Ricardo Loureiro, que atua em Oeiras, explicou os motivos que o levaram a criar a plataforma Cilp, uma startup voltada à organização de informações de saúde e outros dados pessoais dos usuários. Segundo ele, a ideia surgiu a partir das dificuldades enfrentadas diariamente pelos próprios pacientes durante os atendimentos médicos.
“Eu percebi que, durante o atendimento, os pacientes tinham muita dificuldade de passar informações sobre o histórico deles. Essas informações estavam desconectadas, espalhadas, e isso ficava ainda mais evidente em pessoas do interior, onde o acesso à tecnologia é mais limitado”, afirmou o médico.
De acordo com Ricardo Loureiro, muitos pacientes passam por diversos especialistas, como cardiologistas, endocrinologistas e dermatologistas, mas não conseguem manter um registro unificado dos diagnósticos, exames e tratamentos. “É necessário que a pessoa consiga ter um registro dos fatos que envolvem sua saúde para transmitir ao próximo médico ou até em uma situação de emergência, quando ela não consegue falar”, explicou.
Muito além de um fichário médico
O cardiologista ressaltou que a Cilp vai além de um simples fichário médico. “O fichário organiza informações que não se conectam. O sistema que criamos percebe mudanças ao longo do tempo, entende o que melhorou, o que piorou e por que um medicamento foi alterado”, destacou. Segundo ele, o usuário pode “conversar com o sistema” para organizar sua própria história clínica, sem que a plataforma realize diagnósticos ou decisões médicas.
A inserção dos dados, conforme o médico, foi pensada para ser simples e acessível. “Hoje as pessoas já usam WhatsApp, mandam áudio, fotos e vídeos. A Cilp funciona assim: por meio de um link, a pessoa fala, envia imagens de exames, prescrições ou prontuários, e tudo é organizado automaticamente”, disse Ricardo Loureiro.
Outro ponto destacado na entrevista foi a segurança e o controle das informações. “O usuário escolhe com quem compartilhar cada dado. Pode dividir informações de saúde com um médico, dados financeiros com um contador ou outros registros com profissionais específicos”, explicou.
O médico também citou situações de emergência como um dos principais benefícios do sistema. “Se a pessoa estiver cadastrada, basta apresentar um QR Code para que os profissionais de saúde tenham acesso imediato às informações essenciais, sem que ela precise dizer uma palavra”, afirmou.
Saiba como acessar
A plataforma pode ser acessada pelo site cilp.com.br. O serviço oferece um plano gratuito com limite diário de interações e um plano pago, com mensalidade de R$ 9,90. “A partir daí é só conversar. Dependendo da sua interação, o sistema vai caminhar pela área da saúde ou por outra demanda que a pessoa tenha”, explicou Ricardo Loureiro.
Ele também destacou que o funcionamento é semelhante ao uso de aplicativos de mensagens. O internauta pode enviar textos, áudios, fotos e documentos. “Se a pessoa estiver no hospital e tirar a foto de um prontuário ou de um exame, ela pode anexar essa imagem, que o sistema organiza automaticamente”, afirmou.
Além de armazenar os dados, a plataforma também é capaz de ler, transcrever e ajudar o usuário a entender o conteúdo dos documentos enviados. No entanto, o médico fez questão de esclarecer que a ferramenta não interfere em decisões clínicas. “Ela nunca entra em diagnóstico ou em decisão de tratamento. Isso é responsabilidade exclusiva do profissional de saúde”, ressaltou.
Sistema vai além da saúde
Embora a saúde seja o ponto de partida, Ricardo Loureiro afirmou que a Cilp também organiza informações financeiras, patrimoniais e profissionais. “Nossa vida é um sistema. Tudo se relaciona. A saúde acaba impactando todas as outras áreas”, disse. Segundo ele, a proposta é centralizar informações para auxiliar decisões mais conscientes e seguras ao longo da vida.
O médico reforçou que a ideia surgiu a partir de sua atuação em Oeiras, mas não está restrita ao município.
Rodrigo Mendes
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