A cantora Preta Gil morreu nesse domingo (20), aos 50 anos, em decorrência de complicações causadas por um câncer de intestino. O diagnóstico da doença foi feito em janeiro de 2023, quando a artista iniciou o tratamento. O caso acende o alerta sobre o avanço do câncer colorretal entre pessoas com menos de 50 anos, faixa etária que, nas últimas décadas, passou a registrar crescimento expressivo nos índices da doença.
O câncer colorretal é o segundo tipo de câncer mais comum no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), e afeta principalmente o cólon e o reto. A doença se desenvolve a partir de pólipos, pequenas lesões que surgem na parede do intestino, e pode evoluir de forma silenciosa.
Fatores genéticos, ambientais e comportamentais influenciam no surgimento da doença. Entre os principais fatores de risco estão: alimentação rica em ultraprocessados, sedentarismo, consumo excessivo de álcool, tabagismo, obesidade e uso frequente de antibióticos.
Estudo recente aponta nova possível causa
Um estudo publicado em abril de 2025 na revista científica Nature identificou uma possível ligação entre o aumento de casos em jovens e a presença de uma toxina chamada colibactina, produzida por certas bactérias intestinais. A pesquisa indicou que a toxina pode provocar mutações específicas associadas ao câncer de intestino.“Esses padrões de mutação são uma espécie de registro histórico no genoma e apontam para a exposição precoce à colibactina como uma força motriz por trás do início precoce da doença”, explicou Ludmil Alexandrov, biólogo computacional da Universidade da Califórnia em San Diego.
Sintomas e diagnóstico
Os sintomas do câncer de intestino podem ser inespecíficos, o que dificulta o diagnóstico precoce. Entre os sinais de alerta estão:
- Presença de sangue nas fezes (vermelho vivo ou escuro);
- Diarreia persistente ou constipação recente;
- Sensação de evacuação incompleta;
- Afilamento das fezes;
- Cólica abdominal frequente e inchaço;
- Fadiga, perda de peso e anemia.
O diagnóstico costuma ser feito por meio de exames como a pesquisa de sangue oculto nas fezes, colonoscopia e retossigmoidoscopia. O Ministério da Saúde recomenda o rastreamento a partir dos 50 anos. No entanto, pessoas com histórico familiar devem iniciar o acompanhamento mais cedo, conforme orientação médica.
Prevenção
Medidas preventivas podem reduzir significativamente o risco da doença. As principais recomendações incluem:
- Praticar ao menos 150 minutos de atividade física por semana;
- Manter uma alimentação rica em frutas, legumes, verduras e grãos integrais;
- Reduzir o consumo de carnes vermelhas, processadas e alimentos ultraprocessados;
- Ingerir, no mínimo, dois litros de água por dia;
- Evitar álcool e tabaco;
- Manter o peso corporal adequado.
Izabella Furtado
Ver todos os comentários | 0 |