A insulina é o hormônio responsável por regular a quantidade de açúcar circulando no sangue. Quando as células passam a responder de forma inadequada à sua ação, instala-se a chamada resistência à insulina. Para tentar compensar essa dificuldade, o organismo aumenta a produção do hormônio.
Esse desequilíbrio é conhecido por elevar o risco de diabetes tipo 2 e de problemas cardiovasculares, renais e hepáticos. Agora, um estudo publicado na revista Nature Communications sugere que os impactos podem ser ainda mais amplos: a resistência à insulina também pode estar ligada a maior probabilidade de desenvolver determinados tipos de câncer.
A pesquisa foi conduzida por cientistas do Hospital Geral de Veteranos de Taichung e analisou informações de aproximadamente 372 mil participantes do UK Biobank, um dos maiores bancos de dados de saúde do Reino Unido.
Para estimar a resistência à insulina, os pesquisadores desenvolveram um modelo de inteligência artificial chamado AI-IR, que utiliza dados simples de exames de rotina — como idade, índice de massa corporal (IMC) e glicemia em jejum. Ao longo do acompanhamento, foram registrados 51.193 diagnósticos de câncer entre os voluntários.
Quando todos os tipos de câncer foram avaliados em conjunto, não houve aumento significativo do risco geral. No entanto, ao analisar cada tumor separadamente, surgiram associações com pelo menos seis tipos específicos:
Tipos de câncer com maior associação:
Câncer de útero (com risco mais que dobrado);
Câncer de rim;
Câncer de esôfago;
Câncer de pâncreas;
Câncer de cólon;
Câncer de mama.
A ligação foi observada inclusive em pessoas que não tinham diagnóstico prévio de diabetes.
Possíveis explicações
Altas concentrações de insulina no sangue podem estimular a multiplicação celular. Além disso, a resistência à insulina costuma estar associada a inflamação persistente e a alterações hormonais — condições que podem favorecer o surgimento e a progressão de tumores.
Os autores ressaltam que os resultados apontam para uma associação, e não para uma relação direta de causa e efeito. Ainda assim, o estudo indica que a resistência à insulina pode atuar como fator de risco independente para alguns tipos de câncer, não sendo apenas consequência da obesidade ou do diabetes.
Na prática, as conclusões reforçam a importância de preservar a saúde metabólica. Manter o peso adequado, praticar atividade física regularmente e monitorar os níveis de glicose são medidas que ajudam não só na prevenção do diabetes, mas também podem contribuir para reduzir o risco de determinados tumores.
Rodrigo Mendes
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