A atriz Mel Lisboa revelou que foi diagnosticada com HPV após descobrir uma traição do então namorado. Em entrevista ao podcast “Você Não Sabe o Que Eu Sofri”, ela relatou como recebeu a notícia durante uma consulta ginecológica.
“Como ele me traía e eu me expunha, um dia fui a uma consulta ginecológica e descobri que estava com HPV já muito avançado. Sabe quando você não entende nada?”, contou. Segundo a atriz, a médica questionou sobre sua vida sexual e levantou a possibilidade de que o parceiro tivesse transmitido o vírus. “Ela perguntou se eu saía com outras pessoas. Eu disse que não. Então ela respondeu: ‘Você tem que conversar com ele, porque foi ele que te passou e vai ter que se tratar também. Vocês dois vão’”, relatou.
O que é HPV?
HPV é a sigla para Papilomavírus Humano. Mais de 150 tipos já foram identificados, sendo cerca de 40 capazes de infectar a região anogenital — que inclui ânus e órgãos genitais.
Formas de transmissão
A infecção ocorre principalmente por contato sexual, seja vaginal, anal ou oral. O vírus também pode ser transmitido pelo contato direto com a pele ou mucosa infectada, mesmo sem penetração. Quando as lesões estão em áreas não cobertas pelo preservativo, como a base do pênis ou da vulva, a camisinha pode não impedir totalmente o contágio.
Apesar disso, o uso do preservativo continua sendo essencial, pois reduz o risco de transmissão do HPV e de outras infecções sexualmente transmissíveis, como HIV, gonorreia, clamídia e herpes.
A transmissão de mãe para filho durante o parto é rara e, na maioria dos casos, a presença do vírus não impede o parto vaginal.
Sintomas e riscos
A maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com o HPV em algum momento da vida. Em cerca de 90% dos casos, o sistema imunológico elimina o vírus espontaneamente, sem sintomas.
Em aproximadamente 10% das mulheres, a infecção pode persistir, aumentando o risco de câncer do colo do útero. Uma pequena parcela dos infectados (cerca de 1%) desenvolve verrugas genitais, também chamadas de condilomas. Essas lesões geralmente não estão associadas aos tipos de HPV relacionados ao câncer.
Alguns tipos do vírus são considerados oncogênicos e podem contribuir para o desenvolvimento de câncer de colo do útero, ânus e orofaringe, especialmente quando associados a outros fatores de risco.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico pode ser feito por meio do exame preventivo (papanicolau) e da colposcopia, que permitem identificar alterações no colo do útero. Testes moleculares também ajudam a detectar o tipo específico do vírus, inclusive em pessoas sem sintomas.
Não há tratamento específico para eliminar o HPV, mas é possível tratar as lesões causadas pela infecção, sejam elas visíveis ou identificadas apenas em exames.
Prevenção
O preservativo é uma forma importante de proteção, mas a vacinação é considerada a maneira mais eficaz de prevenir o HPV. O imunizante é indicado, preferencialmente, antes do início da vida sexual.
No Brasil, a vacina é recomendada para:
Meninas de 9 a 14 anos
Meninos de 11 a 14 anos (após os 15 anos, são três doses)
Pessoas que vivem com HIV
Transplantados entre 9 e 26 anos (três doses)
A vacinação ajuda a proteger contra os principais tipos de HPV associados ao câncer e às verrugas genitais.
Rodrigo Mendes
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