A Polícia Civil do Piauí, por meio do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), deflagrou nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira (04) a Operação Falso Advogado, com objetivo de dar cumprimento a 62 ordens judiciais, dentre elas 31 mandados de prisão temporária e 31 mandados de busca e apreensão, no bojo de uma investigação que visa desarticular um grupo criminoso com atuação interestadual, que vem causando um prejuízo financeiro em várias vítimas por todo do Brasil. Até o momento, 13 pessoas foram presas.
Como o golpe é aplicado
Os criminosos utilizam técnicas de engenharia social e estratégias de manipulação psicológica para enganar vítimas que possuem ações na Justiça. A atuação segue um padrão:
1. Obtenção de informações: criminosos monitoram processos públicos ou acessam dados de forma indevida, obtendo nomes, telefones e detalhes da ação judicial.
2. Falsa identidade: com essas informações, criam perfis no WhatsApp usando a foto e o nome do advogado da vítima. Para justificar um número desconhecido, afirmam ser “advogado associado”, “secretário” ou profissional vinculado ao escritório.
3. A falsa boa notícia: os golpistas informam que um alvará foi liberado ou que a causa foi ganha, mas exigem o pagamento prévio de supostas taxas, impostos ou custas para liberar o valor.
4. A armadilha da videochamada: uma nova estratégia, considerada mais perigosa, envolve a solicitação de uma videochamada para fazer um suposto “procedimento técnico” ou “reconhecimento facial”. Durante a ligação, convencem a vítima a compartilhar a tela do celular, visualizam saldos bancários e orientam as transferências em tempo real.
Investigação
No primeiro semestre do ano de 2025, a Delegacia de Repressão e Combate aos Crimes de Informática (DRCI) já havia recebido denúncias de mais de 50 advogados e de cerca de 80 clientes vítimas do golpe do falso advogado, crime que está sob investigação da especializada, coordenada pelo delegado Humberto Mácola.
O delegado explicou que, na maioria dos casos, os golpistas buscam causas que circulam entre R$ 100 mil e R$ 200 mil. Após as tratativas, rapidamente os clientes se transformam em vítimas e caem no golpe. “Geralmente, os golpistas cobram um valor da causa que seria de 200 mil reais, retendo assim 20 mil reais da vítima. Essa vítima, acreditando que está falando com o seu advogado, efetua o pagamento e, assim, cai no golpe”, relatou o delegado.
Participaram da operação as Polícias Civis dos Estados do Ceará, Goiás, Pernambuco e Amazonas no cumprimento simultâneo de medidas cautelares em diversas regiões do país, mais precisamente nas cidades: Fortaleza/CE, Maracanaú/CE, Tauá/CE, Pacatuba/CE, Caucaia/CE, Aracoiaba/CE, Aparecida de Goiânia/GO, Manaus/AM, Borba/AM, Recife/PE e Paulista/CE.
A DRCC alerta que advogados e tribunais não solicitam pagamentos imediatos via PIX para liberação de valores judiciais. Na dúvida, entre em contato direto com o escritório por um número oficial já conhecido.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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