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Colunista Caroline Vitorino
Análise política
GP1

Marcelo Castro e Júlio César aceleram articulações para suplências ao Senado

Definições expõem acordos familiares, reciprocidade política e tensão nos bastidores da base governista.

Ainda faltam cerca de cinco meses para as eleições. Cinco meses para os brasileiros escolherem, entre outras figuras carimbadas da República, os próximos senadores. Mas, em política, cautela nunca é demais. Principalmente quando o assunto envolve suplência. Afinal, ninguém monta chapa pensando em perder.

Por isso, tanto Marcelo Castro (MDB) quanto Júlio César (PSD) já começaram a desenhar suas composições. E como toda boa engenharia política, as escolhas vieram aos trancos, barrancos e algumas respirações profundas nos bastidores.

Foto: GP1Marcelo Castro e Júlio César aparam arestas após declaração sobre Ciro Nogueira
Marcelo Castro e Júlio César 

Filho anda do lado do pai

Marcelo Castro aparece confortável nas pesquisas e, ao que tudo indica, dificilmente precisará desmontar a decoração do gabinete em Brasília tão cedo. Diante disso, nada mais natural do que começar a escolher quem ficará na antessala do mandato.

O nome definido pelo MDB para a primeira suplência foi o do deputado estadual Felipe Sampaio (MDB), filho do vice-governador Themístocles Filho (MDB).

Foto: Lucas Dias/GP1Deputado estadual Felipe Sampaio
Deputado estadual Felipe Sampaio

E se alguém ainda alimentava esperança de mudança, o deputado estadual João Mádison (MDB) tratou de encerrar o assunto quase no grito: “Vai dar Felipe Sampaio. A palavra foi dada e acabou. Não tem mais o que discutir.” Pronto. Enterraram o debate e ainda jogaram cimento por cima.

Confesso que achei a defesa um tanto… enérgica. Fica até a curiosidade: quem estaria ousando contrariar uma decisão tão “pacificada” dentro do MDB para provocar reação tão contundente?

Mas a resposta logo veio: há um detalhe curioso nesse roteiro. Um detalhe familiar. Marcelo Castro gostaria de ver o filho, Marcelo Castro Filho (MDB), ocupando espaço na chapa.

Foto: Alef Leão/GP1Marcelo Castro Filho
Marcelo Castro Filho

O problema é que, aparentemente, o entusiasmo não é compartilhado integralmente pela cúpula emedebista, que repete à imprensa, sem pestanejar, que a primeira suplência pertence a Felipe Sampaio, e ponto final.

Marcelo não se deu por vencido e, ao que tudo indica, a segunda suplência parece caminhar justamente para Marcelo Filho.

Novela ganha um novo capítulo

Só tem um detalhe: no ano passado, o próprio Marcelo Castro confirmou publicamente o nome da advogada Vanessa Tapety (MDB) como segunda suplente. Mas o anúncio evaporou no ar político e nunca mais se falou nisso. Foi para o limbo eleitoral. Se ela não se incomodou, certamente não serei eu a criar caso.

Foto: Lucas Dias/GP1Vanessa Tapety, deputada estadual pelo MDB
Vanessa Tapety, deputada estadual pelo MDB

Júlio César está com o “pé no acelerador”

Do outro lado da avenida política, Júlio César parece andar com o pé no acelerador. E a frase, registre-se, é dele próprio. Confiante no cenário eleitoral, o parlamentar escolheu como primeira suplente Iasmin Dias (PT), filha do ministro Wellington Dias (PT).

A justificativa nos bastidores atende pelo elegante nome de “reciprocidade política”. Afinal, Jussara Lima (PSD), esposa de Júlio César, ocupa justamente a primeira suplência de Wellington Dias no Senado. Quase uma ciranda institucionalizada da política piauiense. Bonito de ver. Ou preocupante. Depende do ponto de vista.

Foto: Reprodução/InstagramWellington Dias e a filha Iasmin
Wellington Dias e a filha Iasmin

Wellington confirmou a esta colunista que a filha possui aval para assumir a suplência “se assim desejar”. Se desejar? Fica a dúvida sincera: o que exatamente faria alguém recusar uma cadeira tão próxima do Senado Federal?

Ainda mais depois de sinais bastante convenientes. Recentemente, Yasmim reapareceu nas redes sociais, reativou o Instagram e deu aquela clássica espanada na poeira digital que costuma anteceder projetos eleitorais. Em política, ninguém reaparece online por acaso.

Apesar disso, há quem diga nos bastidores que o anúncio oficial segue sendo segurado (porque o pai quer o melhor para a filha) e, nesse caso, o motivo seria simples: ainda existe gente no próprio meio político que não crava, com absoluta convicção, a vitória de Júlio César ao Senado. Em alguns círculos, a dúvida já deixou de ser sobre vitória. Passou a ser sobre candidatura.

Segunda suplência bem mais pacificada

O nome mais forte hoje é o do advogado Pedro Rocha, assessor especial do Governo do Estado e filiado ao PT. Nos bastidores, o nome agrada a praticamente todo mundo: Georgiano Neto (PSD), Júlio César (PSD) e o governador Rafael Fonteles (PT)  estariam alinhados em torno da escolha.

E ele? Bem… imagino que queira. 

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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