Do ponto de vista estatístico, não há qualquer justificativa para a criação de leis que dificultem a realização de corridas de rua tendo como base casos extremamente isolados ocorridos no Brasil. Fatalidades, embora lamentáveis, são raras e não representam a realidade da imensa maioria dos eventos esportivos realizados diariamente no país.
Criar restrições generalizadas a partir de exceções é legislar pelo medo e pela emoção, e não pela razão. Milhares de corridas acontecem todos os anos, com participação massiva da população, trazendo benefícios comprovados para a saúde pública e apresentando baixíssimo índice de intercorrências graves.
Quando o poder público usa episódios pontuais como justificativa para burocratizar ou inviabilizar eventos esportivos, o efeito prático é desestimular a prática da atividade física e, consequentemente, contribuir para o aumento do sedentarismo — um problema muito mais grave e frequente do que os raríssimos casos usados como argumento para restrições.
E aqui é oportuno lembrar um dado alarmante, as doenças relacionadas ao sedentarismo matam mais de 300 mil pessoas por ano no Brasil. Logo o mais importante é prevenir a falta de atividade física.
Políticas públicas responsáveis devem ser baseadas em dados, evidências e impacto coletivo, e não em exceções estatísticas. Leis precisam proteger a população como um todo, e não punir milhões de praticantes por eventos raros e isolados.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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