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Colunista Demóstenes Ribeiro
Educador físico. Sua coluna aborda temas voltados à saúde muscular.
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O brasileiro come para encher o bucho e não para se nutrir

Estudos mostram que alimentos ultraprocessados estão associadas ao aumento do risco de obesidade.

Grande parte da população brasileira foi educada a comer para saciar a fome imediata, e não para promover saúde e nutrição adequada. Esse padrão alimentar, baseado em grandes volumes de carboidratos refinados e alimentos ultraprocessados, contribui para um cenário paradoxal: excesso de calorias associado à deficiência nutricional.

Estudos mostram que dietas baseadas em alimentos ultraprocessados estão associadas ao aumento do risco de obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e inflamação crônica. Esses alimentos são ricos em energia, mas pobres em micronutrientes essenciais, como vitaminas, minerais e compostos bioativos (MONTEIRO et al., 2019).

Foto: Demóstenes RibeiroProfessor Demóstenes Ribeiro
Professor Demóstenes Ribeiro

A chamada “fome oculta” ocorre quando o indivíduo consome calorias suficientes, mas não ingere nutrientes adequados. Esse fenômeno é comum em populações que baseiam sua dieta em grãos refinados, açúcar e óleos industriais, resultando em deficiência de ferro, zinco, vitamina D, vitamina B12 e outros micronutrientes essenciais (FAO/WHO, 2020).

Por outro lado, dietas baseadas em alimentos minimamente processados, como carnes, ovos, frutas, vegetais, legumes e gorduras naturais, estão associadas a menor risco de doenças metabólicas e melhor saúde geral (LUDWIG et al., 2018).

O modelo alimentar moderno prioriza alimentos baratos, de alta densidade calórica e baixo custo de produção. Essa estratégia atende à lógica econômica de alimentar grandes populações, mas não necessariamente promove saúde. O resultado é uma população que come muito, mas se nutre pouco, com impactos significativos no sistema de saúde pública.

Reorientar a educação alimentar para a qualidade nutricional, e não apenas para o volume de calorias, é fundamental para melhorar a saúde da população e reduzir a carga de doenças crônicas não transmissíveis.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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