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Colunista Demóstenes Ribeiro
Educador físico. Sua coluna aborda temas voltados à saúde muscular.
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No jejum intermitente as células saudáveis destroem as doentes

Em um mundo onde quase tudo gira em torno de comer mais, talvez saúde esteja justamente em comer melhor.

Vivemos em uma sociedade que nos ensinou a comer o tempo todo. Café da manhã, lanche, almoço, lanche, jantar, ceia. O corpo mal termina de digerir uma refeição e já recebe outra. O problema é que, nesse ritmo constante de alimentação, o organismo não tem tempo para fazer algo essencial: se limpar e se reparar.

Foto: Arquivo pessoal/Demóstenes RibeiroNo jejum intermitente as células saudáveis destroem as doentes
No jejum intermitente as células saudáveis destroem as doentes

É exatamente aí que entra o jejum intermitente.

Quando passamos algumas horas sem ingerir alimentos, o corpo deixa o chamado “modo alimentação” e entra no modo manutenção. Nesse estado, ocorre um processo biológico fundamental chamado autofagia — um verdadeiro sistema interno de reciclagem celular.

Autofagia, em termos simples, é quando o organismo identifica células danificadas, proteínas defeituosas e estruturas que já não funcionam bem e as reaproveita. Não é destruição, é economia inteligente. O corpo elimina o que está ruim para preservar o que está saudável.

Enquanto estamos comendo com frequência, principalmente alimentos ricos em açúcar e carboidratos refinados, os níveis de insulina permanecem elevados. Com a insulina alta, a autofagia fica inibida. O corpo está ocupado demais armazenando energia para conseguir limpar o próprio terreno.

No jejum, o cenário muda completamente. A insulina cai, hormônios ligados ao jejum aumentam e o organismo passa a utilizar gordura e estruturas internas como fonte de energia. É nesse ambiente que a autofagia começa a acontecer, geralmente de forma mais significativa a partir de 12 a 16 horas sem ingestão calórica.

Esse processo traz efeitos profundos: redução da inflamação, melhora do funcionamento celular, maior eficiência metabólica e até proteção contra doenças associadas ao envelhecimento. Não à toa, a autofagia é estudada como um dos principais mecanismos ligados à longevidade e à saúde do cérebro.

Nosso organismo foi moldado ao longo da evolução para alternar momentos de abundância e escassez. Quando retiramos completamente a escassez, retiramos também a oportunidade de o corpo se renovar.

Em um mundo onde quase tudo gira em torno de comer mais, talvez saúde esteja justamente em comer melhor e, às vezes, não comer.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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