Fechar
Colunista Demóstenes Ribeiro
Educador físico. Sua coluna aborda temas voltados à saúde muscular.
GP1

Centenas morrem de infarto por dia em todos os lugares, mas se for na academia vira comoção nacional

O verdadeiro “inimigo silencioso” da população brasileira não é a academia. É falta de movimento.

Todos os dias, centenas de brasileiros morrem por infarto. Segundo estatísticas oficiais, são mais de 250 mortes por dia. Esses infartos acontecem em todos os lugares: dentro de casa, no ambiente de trabalho, no trânsito, em clubes, em restaurantes e até dormindo. O infarto não escolhe local, horário, classe social ou profissão.

Mas basta um caso acontecer dentro de uma academia para virar manchete nacional, gerar grande comoção e imediatamente surgir uma corrida por novas exigências, burocracias e cobranças para o funcionamento desses estabelecimentos. Instituições como OAB, Ministério Público, Sociedade Brasileira de Cardiologia e Conselhos de Educação Física passam então a discutir novas regras, equipamentos obrigatórios e mais dificuldades para quem promove atividade física.

Foto: Arquivo pessoal/Demóstenes RibeiroCentenas morrem de infarto por dia em todos os lugares, mas se for na academia vira comoção nacional
Centenas morrem de infarto por dia em todos os lugares, mas se for na academia vira comoção nacional

É claro que toda medida de segurança é importante. Toda vida importa. Porém, é preciso enxergar o problema principal de saúde pública do Brasil: o sedentarismo.

O verdadeiro “inimigo silencioso” da população brasileira não é a academia. O inimigo é a falta de movimento. É o excesso de tempo sentado. É a obesidade crescente. É a hipertensão descontrolada. É o diabetes. É o cigarro. É a má alimentação. É a ausência completa de atividade física na vida de milhões de brasileiros.

A academia não é a causa do problema. Na maioria das vezes, ela é justamente parte da solução.

Muitas pessoas que começam a treinar já chegam às academias carregando anos de sedentarismo, excesso de peso, colesterol elevado, pressão alta e diversos fatores de risco acumulados ao longo da vida. Em alguns casos, o exercício acaba sendo o primeiro momento em que uma doença silenciosa se manifesta. E isso pode acontecer em qualquer lugar: subindo uma escada, jogando bola no fim de semana, caminhando na rua ou até em repouso dentro de casa.

O que deveria causar comoção nacional não é o fato de alguém ter passado mal dentro de uma academia. O que deveria indignar o país é o número gigantesco de brasileiros sedentários que estão adoecendo todos os dias por falta de atividade física.

Precisamos parar de criar obstáculos para os locais que estimulam saúde e começar a incentivar mais movimento, mais esporte, mais musculação, mais caminhada, mais atividade física nas praças, nos bairros, nas escolas e nas empresas.

O Brasil não vai vencer o infarto criando medo da atividade física. O Brasil vai reduzir mortes quando combater de verdade o sedentarismo, que hoje é um dos maiores fatores de risco para doenças cardiovasculares e mortes precoces.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

Ver todos os comentários   | 0 |

Facebook
 
© 2007-2026 GP1 - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do GP1.