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Colunista Gil Sobreira
Jornalista especializado em reportagens investigativas, com atuação destacada na apuração de denúncias, irregularidades administrativas e casos de interesse público.
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Prefeitura de São Bernardo confessa pagamentos indevidos e prefeito Erikson Fenelon devolve R$ 96 mil

O RH da prefeitura emitiu uma declaração que é uma obra-prima do cinismo administrativo.

A política no interior do Brasil não é para amadores; é para mágicos. O mais novo ilusionista a ganhar os holofotes do Ministério Público é o prefeito de Morro do Chapéu do Piauí, Erikson Fenelon Aguiar. A 2ª Promotoria de Justiça de Esperantina instaurou uma Notícia de Fato para investigar um fenômeno que, em qualquer país sério, seria chamado de fraude, mas que por aqui tramita sob o rótulo polido de "suposta acumulação ilícita de vínculo funcional". A investigação foi deflagrada após as denúncias publicadas com exclusividade por esta coluna, que revelaram o esquema de onipresença funcional do gestor.

O Ministério Público quer saber como Erikson Fenelon consegue a proeza de ser prefeito e, ao mesmo tempo, manter vínculos públicos que sugerem uma jornada de trabalho incompatível com a realidade de quem tem um município para administrar. A suspeita é a de sempre: recebimento de salário sem a incômoda necessidade de trabalhar — o famoso "fantasma" que assombra as folhas de pagamento.

Foto: Reprodução/ InstagramPrefeito Erikson Fenelon
Prefeito Erikson Fenelon

O promotor foi rápido e deu 15 dias para que a prefeitura de São Bernardo (MA) entregue tudo: folhas de ponto, registros de frequência e comprovantes de pagamento. Querem ver se o prefeito possui o dom da onipresença ou se apenas esqueceu de avisar ao erário que o exercício do mandato eletivo exige, por lei, o afastamento de outras funções.

A cereja desse bolo indigesto ainda estava por vir. O RH da prefeitura de São Bernardo emitiu uma declaração que é uma obra-prima do cinismo administrativo. Admitem que o Dr. Erikson recebeu pagamentos "indevidos" enquanto médico de uma UBS local. No entanto, dizem com a naturalidade de quem confessa um erro de digitação, que a situação foi "regularizada" com a restituição dos valores, R$ 96 mil.

É a moralidade de conveniência: o sujeito recebe o que não deve e, quando o barulho começa, devolve o que nunca deveria ter pego, esperando que o ato de "restituir" apague a mancha da má-fé.

Vamos ver se o Ministério Público aceita esse truque de cartola.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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