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Músico Zemarx pede exoneração do professor Cinéas da Fundação Cultural Monsenhor Chaves


"Fora Cinéas Santos!!!

Com certeza, a cara alegre do Piauí, não é a do Professor Cinéas  Santos, que há muito tempo tem um projeto chamado “Cara Alegre do  Piauí. Ele é o atual gestor da FMC – Fundação Cultural Monsenhor  Chaves que, além de não participar das atividades carnavalescas de  Teresina este ano (o que seria uma obrigação dele como gestor público,  goste ou não goste da proposta), fica fazendo cara-feia (aí sim, com  toda propriedade) para a festa de Momo. E como diriam os sambistas e  pagodeiros: __Dá licença, professor!

Com toda certeza, quem faz a cara alegre do Piauí são as escolas de  samba de Teresina, que fazem sim um grande espetáculo, em se tratando de desfile de escolas de samba. Não somos obrigados a gostar do ritmo baiano (no carnaval) com toda a sua superestrutura, apesar de serem bem produzidos e de igual valor. Eu gosto mesmo é de samba, professor. E samba, como diz um dos maiores amantes do samba do Piauí, Robert Gladson, “Samba é arte, amor e emoção. É um estilo de vida!”.

Eu digo que o desfile das escolas de samba, além de gerar emprego e renda, é quem sustenta os grupos de samba de Teresina o ano inteiro. É sabido que a maioria dos profissionais que atua no samba da cidade é componente de alguma escola de samba. E o nosso desfile é um espetáculo, um dos maiores, pois é completo por que envolve música, dança, teatro, artes-plásticas, história, reflexão e, principalmente, paixão. Este ano a Brasa Samba completou 40 anos de vida, isso é tempo suficiente para solidificar uma cultura do samba no nosso Estado. Sem contar o tempo das escolas primeiras como Escravos do Samba e Piratingas do Rítmo.

Não adianta vir querer comparar o nosso carnaval ao carnaval do Rio ou de São Paulo. Se assim fosse, teremos também que comparar a qualidade das transmissões de TV na avenida. Claro, que os profissionais são competentes, esforçados, responsáveis, ágeis e, em muitos casos, também apaixonados pelo nosso carnaval. Mas, por que a maioria das matérias tem que acontecer dentro dos estúdios? Eu explico: porque, na maioria das vezes, as equipes não têm nem carro para ir ao local dos ensaios.

Então, ficam os apresentadores sobrevivendo apenas dos releases e das sinopses que são repassadas pelas próprias escolas. No entanto, o que mais irrita é quando ficam alguns comentaristas debochando da nossa festa, sem saber que eles ganhariam muito mais se descessem do pedestal e fossem até as sedes das escolas aprender como é que se como uma panelada de bode (como um tira-gosto), acompanhada de um aperitivo quente: __O “leite, professor”, como diria o seu Luis, da bateria da Brasa Samba.

Quem se encanta canta comigo!

Temos erros? É claro que sim! Não entendo, por exemplo, como é possível que o presidente da Liga das Escolas de Samba, Carlos Filho seja o escolhido para coordenar os trabalhos na avenida se a liga dele é composta apenas por duas escolas, enquanto a outra liga tem quatro escolas. Tudo bem que a incompetência do Jamil Said no ano passado foi absurda. Mas, alguém tem que fazer alguma coisa sobre isso, ou então a Ziriguidum vai continuar roubando a cena na avenida. Não pelas musas que traz do Rio de Janeiro (o que, na verdade, é bom demais, além de ser jornalístico, noticia). Mas, o fato, é que ela desfila em primeiro lugar, pegando uma avenida cheia de gente.

Na discussão sobre carnaval tem-se usado a palavra “mudança”, o que é um absurdo. O mais sensato neste momento é usar a palavra “incremento”. Se alguma coisa falta no carnaval da nossa cidade, não é culpa das escolas de samba. E aí eu pergunto: __quem é culpado pelo esvaziamento dos clubes sociais, são as escolas de samba, também? Vale ressaltar que a informação de que só haviam 8 mil pessoas na passarela do samba é uma descarada mentira. Se juntarmos os integrantes de todas as escolas, com certeza, vamos chegar a vinte mil pessoas ou mais. Claro, que a chuva atrapalhou mais aos barraqueiros do que as escolas.

Iniciativas têm surgido, dentro da própria FMC e que devem ser aplaudidas, como a revitalização do Corso do Zé Pereira. Parabéns à Laurenice França e sua equipe. Por outro lado, é preciso dizer, que o carnaval tem que melhorar muito mais ainda e concordamos com idéia de acrescentar os trios elétricos. É boa, sim. Como também o é, a proposta de fazer grandes bailes de frevo nas praças da periferia. É bom lembra que o Carlos Filho tem uma proposta de que as escolas possam vender os blocos, usando o nome da própria escola. (Se é pra fazer festa, as escolas sabem).

O que a prefeitura ainda chama de doação, em outros estados é visto como investimento. Na capital Rio Branco, por exemplo, o investimento público em cada escola é de R$ 100 mil. Aqui tivemos, inegavelmente, um aumento significativo. Mas, ainda paira esta noção de “dar as escolas dinheiro público”. Isso apenas da prefeitura, que chega em cima da hora, dentro de uma desgastante burocracia. Enquanto, o Governo do Estado faz pouco caso da questão, humilhando os presidentes de escolas de samba em reuniões apressadas e em cima da hora do desfile no ainda suntuoso salão vermelho do Karnak.

O maior carnaval é aqui!

Todos sabem que quando um prefeito desses aí, que a gente esquece até do nome, resolveu acabar com o carnaval de Teresina retirando as escolas do investimento público no carnaval, a maioria dos sambistas tiveram que ir para Barras e Floriano e, literalmente ajudavam a fazer o carnaval de escolas de samba deles. Ou fazer como bem-fez o Sambão, que desfilava nas apertadas ruas da Baixa-da-Égua, no centro de Teresina.

Mas, a metafísica de um marketeiro idiota quer que todos admitam que o melhor carnaval acontece em Barras e Floriano. Eles sabem que, da forma como essas cidades passaram a fazer carnaval, a vizinha Timon se saiu muito melhor no Zé Pereira. Dizer que Teresina não tem um bom carnaval é culpa muito mais de administradores inapetentes, distantes do que realmente esta cidade vive. Que se juntam, mas não se misturam com os sambistas, não sabem (repito) comer uma panelada, viver o estilo de vida daqueles que fazem as escolas de samba.

Os donos da bola

De um ponto de vista político, é sabido que os cargos das fundações culturais são sempre vendidos aos aliados inconformados. Qualquer peça cabe ali, não importa se o que eles fazem é estratégico, inteligente ou se fazem nada (misturada com coisa nenhuma). De um lado, o governador Wellington Dias negociou a FUNDAC – Fundação Cultural do Piauí com o movimento negro, a troco de ter entre os quadros do primeiro escalão uma representação da raça negra. Muito importante para ele com o grande estrategista que é, mas terrível para a política cultural do estado. Embora admirando o trabalho extraordinário que vem desenvolvendo o governador em outras áreas de atuação como educação, saúde e meio rural, não posso concordar com o que acontece na cultura.

Por outro lado, com a saída do professor José Reis, a quem tenho apreço e reconheço o esforço e a dedicação na pasta, entra na FMC um professor autoritário, arrogante, pretensioso e sem uma proposta inteligente para apresentar aos artistas de nossa cidade. Ele sabe que não tem o respaldo no meio artístico-cultural e sempre soube disso. A Sonia Terra e o Cinéas nunca tiveram respaldo no meio artístico-cultural, não sabem articular nada. __Por que nunca esses gestores se preocuparam em ajustar os valores das leis de incentivo como, por exemplo, a Lei A Tito Filho, ao que manda a Lei.

Para quem não sabe, o percentual previsto para ser descontado para a cultura deveria estar agora em 5% dos valores totais de ISS – Imposto Sobre Serviço e IPTU – Imposto Predial e Territorial Urbano. Questionado, o ex-prefeito Firmino Filho, disse aos artistas que não poderia ceder em nada do IPTU. Quanto ao ISS, os valores nunca passaram de R$ 500 mil, quando já poderiam estar em cerca de R$ 2 milhões.

De volta a Micarina

Quando o publicitário Marco Peixoto tomou de um grupo empresarial local os direitos de promoção da festejada Micarina, ficou um silencio na cidade sobre o que aconteceria agora. Nem o Marcos quis trazer de volta o evento, nem os empresários criaram alguma coisa convincente. Mas, aí eu pergunto: __Será que a Micarina daria certa aliada ao carnaval de escolas de samba de Teresina? Se dá, então por que não fazer? Mas, aviso, não mexam nas escolas de samba!!!

Teresina, 04 de março de 09

*Por Zemarx
Músico e jornalista

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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