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A nudez explícita do dinheiro público


As coisas vão de mal a pior no Congresso Nacional. Como eleitor e cidadão brasileiro, a gente fica indignado ao assistir, todos os dias, a nudez explícita do uso indevido do dinheiro público por parlamentares. É muita ousadia o senador José Sarney vir dizer que não sabia que recebia auxílio-moradia do erário. Mas como? Além do valor que lhe é depositado em conta bancária, ele recebe o seu contracheque ou documento equivalente em que as rubricas creditadas estão discriminadas.

Como estamos longe dos princípios éticos e morais. O ex-presidente da Coreia do Sul, Roh Moo-hyun, suicidou-se, recentemente, por ver seu nome envolvido em operação de suborno. O coreano ficou roxo de vergonha e não veio pedir desculpas esfarrapadas. No Brasil, dificilmente um político é cassado e/ou vai para cadeia. Só Deus pode salvar este País das mãos dessa corja solerte.

O senador José Sarney e outros séquitos fiéis acham que todos nós somos ingênuos tupiniquins para acreditar em história da carochinha: "o auxílio-moradia vinha no meu salário e eu não sabia". Essa é muita boa! O senador está ficando muito esquecido para não saber o que está recebendo. Claro! O dono do Maranhão, abonado cidadão, tem mais o que fazer do que ficar perdendo tempo com o exame de seu contracheque. Se ele fosse um pobretão, certamente, examinaria, tostão por tostão, tudo o que recebe, e devolveria, tempestivamente, o que não lhe era devido.

E nada nos surpreende ver o primeiro secretário do Senado, senador Heráclito Fortes (PFL-PI) sair em defesa do insigne senador Sarney. Ao declarar que não houve dolo, sua excelência, senador Heráclito Fortes, objetivamente pretendeu afastar qualquer imputação de culpabilidade ao senador maranhense. O Senado está parecendo uma célula de compadrio. Só que pequenos deslizes também são crimes.

Não existe meio crime, meio erro, meio isso, meio aquilo. Irregularidade é irregularidade, e deveria ser chamado à responsabilidade quem a pratica. Mas eu estou querendo demais, porque com a orgia do uso de passagens áreas realizadas por muitos parlamentares em viagens, não a serviço, com parentes e amigos, ninguém foi penalizado, e passou-se vergonhosamente uma borracha mágica em tudo.

Só que a sociedade - basta ver o rosário de comentários críticos nos jornais - considera vergonhoso, imoral, indecente, desrespeitoso etc. senadores, com moradias em Brasília, receberem de forma caolha dinheiro público indevido (auxílio-moradia). Se não fossem denunciados ficariam em surdina se locupletando. A verdade é que os políticos estão mal-acostumados com o dinheiro farto em Brasília.

O que gastamos com políticos daria para tirar a Nação da miséria. A sorte deles é ter um País ainda de pessoas analfabetas, sem cultura política, sem consciência e omissas aos interesses nacionais, onde o voto é lamentavelmente obrigatório, o político com ficha-suja não é impedido de se candidatar, a reeleição política não é banida, e muitas outras barbaridades são permitidas.

Por isso, muitos não acreditam no Parlamento Federal, inchado e inoperante, e outros querem o seu fechamento. Ninguém deseja a volta do regime militar, aliás, os militares, a bem da verdade, só perseguiram quem queria transformar o País numa célula socialista comunista ou ditadura socialista. E naquela época não havia narcotraficante e a família brasileira tinha segurança pública.

O Congresso Nacional precisa passar por uma reforma ética e moral, reduzir o seu quadro administrativo e parlamentar, e conferir maior participação do povo em suas decisões. Princípios de democracia direta e semidireta fariam muito bem ao País e resgatariam a imagem desgastada da Casa democrática popular.

*Julio César Cardoso, Bacharel em Direito e servidor federal aposentado

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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