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A Igreja Católica, como qualquer outra instituição religiosa séria, prima pelos conceitos morais que devem sempre nortear a relação fraterna entre as pessoas.
Quando ela se manifesta contrária ao aborto, é porque faz parte de sua natureza defender a preservação da vida em toda a sua concepção e extensão. Assim, com todas as restrições que porventura se possa fazer às suas posições dogmáticas e seculares, ela ainda é o ponteiro que orienta a maioria das famílias brasileiras para o bem.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, certa feita disse que "o aborto deve ser tratado como um problema de saúde pública e um direito de ser discutido de maneira laica pelas mulheres, com todas as condições que o Estado tem de oferecer". Não se discute a laicidade do aborto, mas o aspecto moral e de responsabilidade das mulheres em suas relações sexuais voluntárias.

A mulher moderna, do alto de sua liberdade, tem afirmado que é dona de seu corpo, que paga imposto e que pode decidir se deseja ou não interromper uma gravidez indesejada. Com todo o respeito ao livre arbítrio de decisão defendida por parcela de mulheres, não é bem assim, de forma liberal, que o tema deve ser resolvido. A interrupção de uma vida não pode ser levada para o terreno da banalidade.

Gravidez indesejada se poderia falar em caso de estupro. Na pior das hipóteses, o aborto terapêutico seria necessário para salvar a vida da mulher em caso de risco ou na circunstância de má-formação fetal, especialmente anencefalia, como já tem se manifestado favoravelmente o Poder Judiciário. Não sendo dessa forma, é preciso que a mulher e o homem tenham mais responsabilidade e assumam as consequências de seus atos negligentes demonstrados ao não se cercar dos cuidados necessários de usar os meios anticoncepcionais existentes ou conhecidos, hoje bastante difundidos pelo Ministério da Saúde.

O aborto proposital de uma relação sexual voluntária deve ser combatido como forma de preservação dos valores morais, dentro de um quadro de responsabilidade que deve coexistir entre os seres humanos. É verdade que o aborto clandestino tem aumentado a estatística de acidentes com mortes de mulheres. Mas a sua legalização será o passaporte para consagrar a promiscuidade sexual - juvenil e adulta.

Que a candidata Dilma Rousseff tenha mais respeito pela vida. E que assuma as suas declarações sobre a descriminação do aborto. Não se pode servir, ao mesmo tempo, a Deus e ao diabo. Não se pode ter duas caras: uma para o eleitor e outra pessoal. O Brasil não pode ser presidido por quem não tem coragem de assumir as suas próprias declarações, que ficaram registradas em todos os jornais: "Acho que tem de haver a descriminalização do aborto. Acho um absurdo que não haja (04/10/2007)" e "Eu, pessoalmente, sou contra. Não acredito que haja uma mulher que não considere o aborto uma violência (29/09/2010)". Exigimos um governante sem tergiversação e que tenha caráter, ética e moral - de cumprimento de palavra.

Como cidadã, a senhora Dilma Rousseff tem todo o direito de emitir suas opiniões, mas não pode falsear a verdade. Quem garantirá que ela cumprirá os seus compromissos de campanha diante desse "disse-não-disse" a respeito do aborto? Assim, fica muito difícil aos cidadãos brasileiros depositar confiança em um candidato ou candidata que esconde a sua verdadeira face: a da verdade.

*Júlio César Cardoso é bacharel em Direito e servidor federal aposentado

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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