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Não será surpresa se o governador Wellington Dias apresentar uma surpresa antes da Sexta-Feira Santa


De surpresa em surpresa

A surpresa tem sido uma das marcas do governador Wellington Dias, nas últimas semanas. Ele surpreendeu ao se definir pelo nome do vice-governador Wilson Martins como candidato à sua sucessão e, no dia seguinte, mudar de ideia e anunciar que ficava no cargo até o final de seu mandato.

Depois, surpreendeu ao mandar para a Assembléia Legislativa um projeto criando um gabinete com segurança, pessoal de apoio e carro oficial para ex-governador. O primeiro beneficiado seria ele mesmo, a partir de janeiro. Como a reação foi negativa, ele recuou e decidiu solicitar o projeto de volta ao Palácio de Karnak.

Agora o governador surpreende ao declarar que vai compor um secretariado eminentemente técnico para concluir o seu mandato. E podia ser diferente? Os políticos que participam de seu governo estão todos deixando os cargos para concorrer às próximas eleições. Então, só ficam mesmo os técnicos, mas indicados pelos políticos.

Além do mais, quem vai querer ser secretário de um governo que tem no máximo apenas mais nove meses? O que dá para fazer nesse período? Sem esquecer que o cargo será exercido em plena campanha eleitoral, com o alto risco de, a partir de janeiro do próximo ano, o ex-secretário afundar o caminho dos tribunais, a fim de se defender de eventuais processos.

O governador, mais uma vez, tenta sofismar. Está clara, desde o seu primeiro mandato, a sua opção por políticos para compor a sua equipe. Ou não foi ele que loteou o governo entre os vários partidos aliados em nome da governabilidade? Nunca a máquina administrativa esteve tão inchada com tantos órgãos, em sua maioria desnecessários e inúteis, apenas para acomodar aliados.

Se tivesse apostado num governo sem tantos conchavos políticos, certamente Wellington Dias não estaria na encruzilhada em que se encontra hoje. O que o Piauí ganhou com isso? Qual o custo desse blocão para o Estado?

Por último: não será surpresa se o governador apresentar mais uma surpresa antes da Sexta-Feira Santa.

*Zózimo Tavares é editor chefe do jornal Diário do Povo

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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