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A festa acabou


*Zózimo Tavares

O corre-corre, o tititi e o bafafá foram grandes ontem, com a prisão, pela Polícia Federal, de 38 pessoas envolvidas num esquema de corrupção no Ministério do Turismo. As prisões foram feitas apenas em Brasília, São Paulo e Macapá. Mas outros Estados certamente participaram desse festival de desvio de recursos públicos em nome do turismo.

Entre os detidos estão o número 2 na hierarquia do Ministério do Turismo, Frederico Silva da Costa, secretário-executivo da pasta, e o ex-presidente da Embratur, Mário Moysés. Também foram presos o secretário nacional de Desenvolvimento de Programas de Turismo, Colbert Martins da Silva Filho, e diretores e funcionários do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi), além de empresários. Só do ministério, são seis presos.

As investigações corriam desde abril e devem prosseguir ainda por mais 15 a 30 dias. Na casa de um dos suspeitos, em São Paulo, também sede do Ibrasi, a polícia apreendeu R$ 610 mil em espécie. O Ibrasi é uma organização sem fins lucrativos e, conforme as investigações --em conjunto com o Tribunal de Contas da União e apoiadas pelo Ministério Público Federal --, não teria capacidade técnica para o trabalho.

O Ministério do Turismo derramou recursos públicos em todos os Estados, através de emendas parlamentares. O caso vem de longe e, segundo a Polícia Federal, empresas de fachada foram usadas no esquema. Infelizmente, pouca atenção foi dada às primeiras denúncias de falcatruas com recursos teoricamente mandados para atividades de desenvolvimento do turismo.

No Piauí, muita gente está com a barba de molho, depois dessa nova operação da Polícia Federal. Muitos eventos foram realizados no Estado, nos últimos anos, com recursos do Ministério do Turismo, carreados justamente através de emendas orçamentárias apresentadas por congressistas.

Houve um tempo em que os parlamentares irrigavam suas campanhas com emendas para estradas. Depois, mudaram para barragens e, enfim, caíram na gandaia dos carnavais fora de época.

*Zózimo Tavares é editor chefe do jornal Diário do Povo 

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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