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Por que temos preconceito?


Júlio César Cardoso *

Imagem: GP1Júlio César Cardoso(Imagem:Reprodução/GP1)Júlio César Cardoso

Atravessamos um momento em que as feridas de adversidades entre cidadãos precisam ser curadas. Criou-se um clima no país que não se pode mais falar ou fazer considerações sobre pessoas. Tudo o que se disser agora pode ser maldosamente interpretado e rotulado de manifestação preconceituosa. Parece até que as assombrações estão se manifestando de dia, tanto é a visão distorcida que muitos passaram a ter.

Na sociedade, o comportamento de um povo, em princípio, retrata a qualidade de educação recebida do seio familiar ou do meio em que vive. Pois bem, todos nós sabemos que países que não investem em educação e cultura amargam consequências sociais. Mas há fatores outros que interferem no caráter do indivíduo. Há famílias que foram exemplos de educação, de altruísmo e de respeito, colocaram os seus filhos nas melhores escolas, mas, no entanto, muitos desses filhos não herdaram a mesma linhagem humanitária de seus pais. Cresceram com personalidades diferentes, tornaram-se antissociais, violentos, racistas, xenófobos, homófobos etc. Por outro lado, temos países considerados de Primeiro Mundo, com sistema educacional mais avançado, mas nem por isso o seu povo revela maior percepção de respeito social que o nosso. Há alguns meses os jornais exibiram cenas de estádios de futebol da Europa em que torcedores ofereciam bananas a jogadores negros. Aqui próximo, os argentinos costumam chamar-nos de macaquitos.

Fiz essas considerações para mostrar que o problema preconceitual, manifestado por alguns indivíduos, não está só associado à falta de educação e cultura de um povo, mas, aí eu lanço a questão, não estaria relacionado a resquícios atávicos ancestrais?

Os comportamentos tribais de nossos primitivos habitantes já apresentavam esse traço beligerante da superioridade. As guerras sempre existiram pelos mais diversos motivos. O ser humano traz recônditas as mazelas do egoísmo, do orgulho, da ofensa. Veja o que disse Joaquim Manuel de Macedo, A Moreninha, p. 64: “o tal Sr. Augusto, como toda a empáfia de um semidoutor, decidiu magistralmente que a moça tinha todos os defeitos possíveis.” Como se explicam, por exemplo, as atrocidades de Hitler contra os povos judeus? Será que ele era apenas um ensandecido? As guerras continuam apesar dos efeitos maléficos que ela produz.

Os tiranos seguem hostilizando os povos oprimidos. O Oriente Médio hoje é palco de convulsões sangrentas. Por quê? Porque ofender, maltratar e dominar os seus oponentes, tudo isso faz parte das características atávicas dos seres humanos. Assim, todos os tipos de preconceitos sempre existirão no mundo. Todos nós temos algum laivo de preconceito. Quem se atreve a atirar a primeira pedra para dizer que nunca teve preconceito? Se não houvesse preconceito e as pessoas fossem mais solidárias com os problemas sociais, mormente a nossa classe política, certamente, no Brasil, ninguém passaria fome, não haveria miséria e todos teriam habitação e assistência médica pública de qualidade. O problema de orgulho e de superioridade do ser humano é tão sério que dou como exemplificação os jogadores de futebol negros, que, geralmente, depois de famosos e cheios da grana, poucos são os que procuram as mulheres negras para se relacionarem.

* Júlio César Cardoso é bacharel em Direito e servidor federal aposentado

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