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Por que o turismo não decola no Piauí?


Deusval Lacerda de Moraes *

Imagem: ReproduçãoClique para ampliarDeusval Lacerda de Moraes (Imagem:Reprodução)Deusval Lacerda de Moraes
O que falta para o turismo tornar realidade no Piauí? Em recente divulgação do índice de 4,2% do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Piauí do ano de 2010 revelado pelo IBGE e Fundação Cepro ficou evidente que o avanço se deveu ao setor industrial por apresentar melhor desempenho que impulsionou a economia estadual. A economista Joana D’Arc Fortes, da Fundação Cepro, também disse: “O Piauí, sobretudo a região dos Cerrados, ele é muito rico em potencialidades. Então, é rico em capacidade de desenvolver mais a agropecuária, ele tem muito a questão mineral, que é pouco explorada. São caminhos que o Estado com certeza, vai ter que desenvolver esses setores para ter um crescimento ainda mais pulsante”.

Como se pode notar, não se configura a participação do turismo no crescimento da economia piauiense, pelo simples fato do setor ainda estar marcando passo no Estado, mesmo sabendo-se que o turismo está em alta no Nordeste. E que a maioria dos estados nordestinos está aproveitando, capitalizando bem a indústria turística. Os estados da Bahia e do Ceará, então, estão alavancados. E nada mais sintomático para se mensurar o recrudescimento desse filão econômico do que a indústria hoteleira.

Convém esclarecer que uma verdadeira cidade no litoral cearense, ou mais precisamente na Praia do Fortim - com condomínios, loteamentos e cinco hotéis -, começa a ser erguida com investimentos num primeiro momento de R$ 60 milhões, mas trata-se de megaprojeto que será investido no total R$ 3 bilhões pelo grupo espanhol Confide. Já na Bahia, a Prima Empreendimentos Ltda., também espanhola, construirá um resort conceito boutique de 40 bangalôs e 218 unidades residenciais na praia de Inhambupe, em Baixio, próximo a Sauípe, que disponibilizará cerca de R$ 215 milhões, e para a sua construção o grupo já adquiriu uma área de 16 mil hectares, com 14 quilômetros de praias preservadas. A capital Salvador receberá a primeira unidade da rede Fasano no Nordeste, cujo aporte de investimento será de R$ 42 milhões, projeto também da Prima Empreendimentos (Jornal Valor Econômico de 22 de novembro de 2012).

Em Pernambuco estão sendo investidos US$ 125 milhões através de recursos do Ministério do Turismo (Prodetur/NE II), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da contrapartida do Governo do Estado em 11 projetos e 15 obras beneficiando municípios da Faixa Litorânea do Polo Costa dos Arrecifes, Fernando de Noronha, Agreste e Vale do São Francisco (Revista Turismo e Negócios).

Até o mundo mineral sabe que o turismo é uma das maiores fontes de riqueza de países, regiões e estados membros da federação brasileira. Mas os governos piauienses não aprenderam ainda tão elementar lição. Saindo das áreas do Nordeste onde são explorados o setor turístico e outros estados brasileiros como o Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina etc., no turismo internacional destacam-se o Caribe, região insular da América Central, a Flórida, nos Estados Unidos, e a Europa, que é uma das principais fontes de rendas de países como França, Itália, Espanha, Portugal e tantos outros que inequivocamente exploram eficientemente o turismo.

Mas no Piauí não acontece nada no turismo. Não aparece novidade nessa área. Tem-se a impressão de que o Estado não tem o que explorar nesse setor. E tem. O pior é que até agora não se cogitou pelas autoridades governamentais promover políticas públicas com vistas à exploração dos três parques nacionais (Sete Cidades, Serra das Confusões e Serra da Capivara). Esta última conhecida internacionalmente por abrigar os primeiros habitantes das Américas e se não fosse o esforço hercúleo da Niède Guidon talvez estivesse também em total abandono.

Ainda destacaria a exploração turística do Delta do Parnaíba e do Turismo de Eventos em Teresina, que inclusive sequer possui um Centro de Convenções, além da cultura, gastronomia e artesanato piauienses. Afora isso, convém lembrar: que fim levou a proposta da propalada Rota das Emoções? Projeto piloto do Banco Mundial que exploraria conjuntamente os Lençóis Maranhenses, no Maranhão, o Delta do Parnaíba, no Piauí, e Jericoacoara, no Ceará. Por que não se ouve mais falar nesse empreendimento? Ah, uma dúvida: o que faz mesmo o Secretário de Turismo do Piauí? Deve fazer alguma coisa. E se faz o que fez no biênio 2011/2012 e o que tem projetado para fazer no biênio 2013/2014? Seria bom se apresentar ao distinto público para mostrar o que está sendo planejado nessa atividade pelo Estado porque até agora ninguém sabe o que de profícuo se faz naquela Pasta.

* Deusval Lacerda de Moraes é Pós-Graduado em Direito

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