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Prenúncio do fim do que ainda nem começou


Deusval Lacerda de Moraes *

Imagem: ReproduçãoClique para ampliarDeusval Lacerda de Moraes(Imagem:Reprodução)Deusval Lacerda de Moraes
São mais de dois anos do atual governo do Piauí. E, para ser sincero, tem sido um governo de estagnação da administração pública e de geração de animosidades com alguns setores do próprio funcionalismo. Não se vislumbra em nenhum órgão estadual predisposição para se planejar alguma coisa. Ou tudo é feito de afogadilho ou então quase nada é realizado. O tempo passa, e pronto, fica por isso mesmo. No interior, há região que, para muitas pessoas, sequer existe governo. E, em outras partes, é governo de práticas simplistas. Na Capital, para ser realista, só se sabe que existe governo por causa das greves que lhe são contrárias e porque o Palácio de Karnak está funcionando no mesmo lugar de sempre. Por isso, é voz corrente dos piauienses que o atual governo não fez nem fará quase nada em prol do coestaduanos.

O pior é que todo governo, mesmo fraco, começa, e do meio para o fim é que vai se arruinando. Este é diferente, ainda nem começou, por isso nunca fez pesquisa de avaliação. Eu quero ver como ele vai terminar, e se terminar, porque se sabe de um sem-número de ações eleitorais que se forem julgadas rapidamente e aplicadas regiamente o animus dos preceitos eleitorais não chegará ao final do mandato. Os piauienses, aos poucos, estão acordando da anestesia que lhes foi aplicada em 2010 e percebendo ao seu redor que tudo não passava de vibração. E que assim foi orquestrado um plano político-eleitoreiro de escamoteação da realidade e de elaboração de sonhos que muitos foram levados a acreditar sem ter a possibilidade de sua concretização.

Observa-se que até agora o governo não tem marca. Não fez nenhuma obra estruturante em nenhuma região do Piauí que marque o governo nem as reformas que a administração publica moderna exige para dar um salto de desenvolvimento no Estado. Mas no programa eleitoral, foi prometido desenvolvimento para o Piauí. Esperava-se, ao menos, que fosse concluído a porto de Luis Correia e a Transnordestina para dar suporte ao desenvolvimento econômico estadual. Mas este governo engasga-se com pouca coisa, como o Centro de Convenções e a Potycabana. Mas um pouco que até serviria, pois é melhor do que nada. Em razão do marasmo como as coisas acontecem no governo até a esperança – que já era escassa - vai se exaurindo totalmente.

Não obstante, o governo não é de todo ineficaz, ele tem a sua marquinha. É a marca da amigocracia, pois o governador nomeou a sua esposa e irmão para o primeiro escalão administrativo. Tem dois filhos concursados que serão contratados como servidores estaduais no órgão em que a mãe era a principal gestora. Tem a esposa empossada no Tribunal de Contas. Ressuscitou na administração alguns políticos que estão enquadrados na lei da Ficha Suja e outros que estão respondendo processos por improbidade administrativa. Tem aturdido a vida dos funcionários públicos por ter dificuldades de lidar com os contrários e por isso dificulta o cumprimento do mínimo que eles reivindicam e daí esses segmentos deflagrarem greves duradouras como no caso dos professores, e que por isso lhes foi jogado pimenta nos olhos.

Todos sabem que governar não fácil nem é para todo mundo. Portanto, quando se está no lugar errado nunca é demais se recorrer a quem sabe. Nesse contexto, convém lembrar o que disse o grande pensador romano Marcus Tullius Cícero, no auge do Império Romano, no ano 55 a.C, mas que ainda é muito atual: “O orçamento nacional deve ser equilibrado. As dívidas devem ser reduzidas, a arrogância das autoridades deve ser moderada e controlada. Os pagamentos a governos estrangeiros devem ser reduzidos se a nação não quiser ir à falência. As pessoas devem, novamente, aprender a trabalhar, em vez de viver por conta pública”. Desume-se daí que as finanças estaduais não são lá tanto equilibradas, às vezes é até deficitária. Geralmente a empáfia de alguns membros do governo é marca registrada. O governo está tomando dinheiro emprestado a fundo de países estrangeiros (Banco Mundial). E alguns dos assessores do governo não têm sequer lotação para cumprir as suas tarefas. Uma saída, em vez dos assessores, deveria seguir ao menos dos ensinamentos do velho orador, jurista e político romano Cícero.

* Deusval Lacerda de Moraes é Pós-Graduado em Direito

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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