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Governo é para funcionar


*Deusval Lacerda de Moraes

Imagem: ReproduçãoClique para ampliarDeusval Lacerda de Moraes (Imagem:Reprodução)Deusval Lacerda de Moraes
Governo inapto arrefece a economia e, entre outros efeitos ruins, gera movimentos migratórios. Por causa disso, o Piauí é um dos estados brasileiros que atualmente mais emigram seus filhos em busca de oportunidades em outros estados federados. No entra e sai nos estados, o Piauí é o quarto em saída de coestaduanos e esse movimento ainda está em expansão. É preciso de ações governamentais que gerem polos de atração no Estado para que os piauienses sobrevivam em sua própria terra. Mas está difícil, porque através do governo estadual não se vê medidas nesse sentido. O governo está totalmente estagnado e parece estar focado no suposto fortalecimento político através do processo eleitoral de outubro vindouro.

Segundo alguns demógrafos, as transformações causadas pelo desenvolvimento econômico e a modernização nos últimos anos está mudando a dinâmica migratória no País. As levas de pessoas que tentavam a sorte em regiões distantes estão mais reduzidas, sobretudo o Rio de Janeiro e São Paulo, onde a queda chegou pouca mais de 50%, conforme as novas configurações do movimento migratório apresentadas na publicação “Reflexões sobre os Deslocamentos Populacionais no Brasil”, uma análise de dados do Censo 2010 e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, divulgadas pelo IBGE.

É evidente que as pessoas mudam em busca de melhoria de vida. E como no Piauí atualmente as oportunidades estão cada vez mais restritas é natural que elas migrem para lugares que ofereçam melhores condições de sobrevivência. Segundo o Núcleo de Estudos de População da Unicamp, até os anos 1980, a migração se dava da área rural para a urbana. Mas hoje, com a interiorização da urbanização, houve uma mudança, o migrante não está mais saindo de uma área rural, precária, para uma área urbana. Ele se desloca de ambientes que já são urbanos. É um novo Brasil urbano, os destinos não são mais direcionados apenas pela industrialização, há também os setores de serviço e comércio.

Para o IBGE, após décadas de deslocamentos intensos do campo para as cidades, há lugares de forte evasão ou atração populacional, o País atual é caracterizado por áreas de rotatividade migratória, ou seja, há um equilíbrio no fluxo de entrada e saída de migrantes em metade dos estados. Os lugares que mais crescem em população estão associados às atividades agrícolas e industriais, além de forte setor de serviços e comércio. E ainda apresenta o Estado do Paraná, que já foi uma área de acentuada evasão, mas atualmente é um polo de crescimento do País e por isso está havendo uma migração de retorno, ou melhor, muitos paranaenses estão voltando a residir na sua terra.

No Piauí a situação é outra, pois além de não segurar alguns dos que ainda estão aqui também não vislumbra oferecer qualquer atrativo para que eles retornem. Segundo o Jornal o Globo, no Caderno O País, edição de 16 de julho de 2011, o Piauí é um dos estados que mais saem piauienses para outros estados-membros. No Nordeste, só perde para o Estado da Bahia que tem um imenso interior que em grande parte ainda persistem deficiências na sua distribuição de renda, analfabetismo e oferecimento de oportunidades. Mas está em franca retração. No Piauí, ao contrário, a emigração está em franca expansão, atualmente apresenta saldo líquido migratório de quase 35 mil piauienses anuais.

Mas com a inapetência do governo para promover o progresso, por não possuir ação governamental que possa realmente mudar a cara do Estado, só contribui para perdurar tal estado de coisas por não impedir que os nossos irmãos piauienses passem a viver - e alguns até sofrer - nas terras alheias por total falta de perspectiva na sua própria terra. Está na hora dos nossos governantes deixarem a politicagem de lado e cuidar dos problemas que efetivamente afligem os nossos conterrâneos. Para mudar tal realidade se precisa de reais políticas públicas e não somente de políticas partidário-eleitoreiras, pois destas já estamos fartos.

*Deusval Lacerda de Moraes é Pós-Graduado em Direito

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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