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Secretário de Turismo não é turista


Deusval Lacerda de Moraes *

Imagem: Divulgação/GP1Clique para ampliarDeusval Lacerda de Moraes (Imagem:Divulgação/GP1)Deusval Lacerda de Moraes
Em dezembro de 2012 publicamos artigo intitulado “Por que o turismo não decola no Piauí?” que tratou exatamente da cobrança de ações nesse campo do governo do Estado, em especial da Secretaria de Turismo do Piauí, por não conhecermos nenhum plano nem projeto para alavancar o turismo no Estado. Indagamos, inclusive, sobre o que precisa realmente para o turismo se tornar realidade no Piauí. Pois no crescimento do PIB doméstico não há qualquer participação do turismo como impulsionador da economia estadual. Por isso o turismo no Piauí ir de mal a pior, mesmo sabendo-se que está em alta no Nordeste. E que a maioria dos estados nordestinos está aproveitando, capitalizando bem a indústria turística, sobretudo os estados da Bahia, Ceará e Pernambuco que estão turbinados nesse filão da economia.

Apenas para termos uma ideia, na Praia do Fortim, no litoral cearense, começou ser erguido projeto (condomínios, loteamentos e cinco hotéis) com investimentos iniciais de R$ 60 milhões, mas se trata de megaprojeto que será investido total de R$ 3 bilhões pelo grupo espanhol Confide. Já na Bahia, a Prima Empreendimento Ltda., também espanhola, construirá um resort conceito boutique de 40 bangalôs e 218 unidades residenciais na Paria do Inhambupe, em Baixio, próximo a Sauípe, que disponibilizará cerca de R$ 215 milhões. A capital Salvador receberá a primeira unidade da rede Fasano no Nordeste, cujo investimento será de R$ 42 milhões (Jornal Valor Econômico de 22 de novembro de 2012).

Em Pernambuco, estão sendo investidos US$ 125 milhões através de recursos do Ministério do Turismo (Prodetur/NE II), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da contrapartida do Governo do Estado em 11 projetos e 15 obras beneficiando municípios da Faixa Litorânea do Polo Costa dos Arrecifes, Fernando de Noronha, Agreste e Vale do Francisco (Revista Turismo e Negócios).

No Piauí, inacreditavelmente, não se explora essa fonte de riqueza que desenvolve países, regiões e os outros estados-membros brasileiros. Daí no mencionado artigo não sabermos nem quem era o Secretário de Turismo do Estado em razão da apatia como o turismo local vem sendo tratado. A título de exemplificação, no litoral do Piauí, na última temporada de férias e Carnaval ressurgiram os mesmos problemas de sempre que criam verdadeiros transtornos aos turistas que abnegadamente se encaminham para desfrutar da natureza aprazível do nosso litoral.

Mas não é só o turismo que vai mal das pernas no atual governo piauiense, mas quase todos os setores da atividade pública. O Turismo, na verdade, engatinha, e não é de agora. Dessa forma, qualquer titular que seja nomeado para a Pasta tem a obrigação de dizer à sociedade o que realmente vai fazer. Primeiro, tem que explicar porque o governador do Estado o convidou. E também dizer o que ele propõe para o setor. Depois, o nomeado tem que mostrar as credenciais que efetivamente demonstram aptidão para a função, como formação, experiência, estudos, planos e projetos na área. Em seguida, detalhar para a sociedade que realmente tem ideias avançadas e que serão executados os projetos incrementais em curto espaço de tempo, já que, se for parlamentar, desincompatiblizará em abril de 2014. É bom lembrar que tempo pode não ser problema, pois o ex-prefeito Elmano (PTB) obteve extraordinário desempenho à frente da Prefeitura de Teresina em curto espaço de tempo.

Em não sendo assim, os segmentos vanguardistas do Piauí ficarão sem entender as intenções que realmente existem para o setor. O governador disse que neste ano não falaria nem trataria de política. Mas se viu o contrário, ele mesmo se interessou para eleger o candidato do PSB na eleição da APPM. Agora, com a saída do PP da sua base aliada, o mandatário nunca mais teve sossego enquanto não atraiu o PSD para as suas hostes governistas, oferecendo a insossa Secretaria de Mineração, Petróleo e Energias Renováveis, como também quer porque quer outro político na Secretaria de Turismo. Sabemos que os governos do Piauí geralmente têm pouca inspiração administrativa, mas muita transpiração política para facilitar a vida dos mandarins palacianos.

Face ao exposto, convém ao novo Secretário de Turismo informar a verdade sobre o que o levou a aceitar um órgão inoperante, de um governo que não disse ainda a que veio e que está do meio para o fim do mandato e que vai sair em abril do ano que vem, portanto, com tempo exíguo para fazer alguma coisa que realmente se aproveite. Enfim, esboce os planos, metas e projetos sobre o turismo do Piauí, porque do jeito que as coisas vêm se desenrolando poderá ser meramente para satisfazer o desejo político do governante e que o indicado seja apenas mais um turista na Secretaria de Turismo do Piauí quando oficialmente for visitar o litoral piauiense (Delta do Parnaíba), Sete Cidades, Museu do Homem Americano (Serra da Capivara), Serra das Confusões, o festival de inverno de Pedro II, participar de eventos turísticos em outros estados e ir a Brasília para tratar de matérias do suposto interesse da instituição.

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