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Dois pesos e duas medidas


Minha vizinha diz amar seus cães que cria no interior de sua residência. Confinados em um cubículo, são diariamente alimentados e tem direito a um breve passeio diário para fazerem suas necessidades na porta de minha casa e no pneu de meu carro. Uma vez por semana, um banho com direito a xampu. Uma vez por mês, visitam o veterinário.

Por analogia, o nosso Governador ama os detentos confinados na Casa de Custódia, com a diferença que estes não fazem xixi nas minhas calotas e nem cocô em minha calçada.

Também tenho animais de estimação. A todos dei nomes e sobre nomes, os quais não posso declinar, pois criaria incômodos com muitos humanos conhecidos, alguns desafetos. Inclusive, o calango, que antes eu chamava de “Dom Juan dos Pobres”, agora tem o mesmo nome de um destes conhecidos, após vê-lo (o humano) figurando um comercial de TV. Mas os crio em um amplo terreno que possuo no interior, herança de meus pais, antes que alguém questione a origem.
Imagem: GP1Arthur Teixeira Júnior(Imagem:GP1)Arthur Teixeira Júnior
Salutar compartilhar nosso amor e solidão com seres irracionais. Mas não podemos confundir: cachorro é cachorro, criança é criança. Colocar roupinhas de grife em cães e levá-los à missa e à piscina do clube seria o mesmo que conduzirmos nosso filho atados em coleira e o levar para fazer xixi no poste da esquina.

Pior ainda quando atribuímos aos animais queridos características humanas.

“Mamãe vai comprar pão. Fiquem quietinhos que eu já volto...”

“O que o filhinho vai querer comer hoje?”

“Qual de vocês fez xixi neste cantinho?”

São frases que escuto, não por que quero, mas pela proximidade de nossas casas.

Entendo que se temos amor de sobra e somos carentes de atenção, aliado a condição financeira que nos dê tranqüilidade, porque então não canalizar estes fatores para cuidarmos de uma criança pobre?

Inclusive, não há a necessidade de trazermos a criança para o convívio constante em nosso lar. Podemos adotá-la “à distância”, sem a afastar do convívio de sua família. Simplesmente sendo “padrinhos” dela.

Uma consulta pedriática não e muito mais cara do que uma veterinária, e não conheço um SUS canino. Vacinas e medicação são praticamente do mesmo custo, para crianças ou cachorros. Acessórios de pet shop podem transformar-se em material escolar e um passeio na piscina do clube certamente é muito mais agradável com uma criança do que com um pequinês, com a diferença que a criança ri e não late desesperadamente.

Uma criança que tiramos da rua hoje será um marginal que não teremos amanhã em nossa sociedade.

Acabo de assistir a uma reportagem sobre um assaltante condenado (alcunhado de Isaac) que conseguiu o benefício de cumprir o restante de sua pena em domicílio, conquanto utilizasse uma tornozeleira que monitoraria o correto cumprimento da restrição. Pois Isaac retirou o artefato de seu corpo e cuidadosamente o instalou no pescoço de seu galo de estimação, enquanto o meliante “caía no mundo”. Provavelmente o papagaio cagueta do vizinho o delatou.

Um colega confidenciou-me que se entristeceu ao ver um jumento tristonho e abandonado sentado na calçada defronte sua residência. Esqueci de perguntar-lhe se por ventura o eqüino estava cabisbaixo e com os dedos entrelaçados entre as pernas. Entretanto filosofou (o colega) que atrás de jumento e mulher feia, só vai o dono...

Ainda falando de animais, prometi a mim mesmo que não tocaria neste assunto. Mas não agüento...

Pela janela observei um bode (ou carneiro) com aparentes 30 kg de muita energia em desembestada correria pelo estacionamento de um prédio próximo. Atrás dele, vários seguranças tentaram capturá-lo por mais de 30 minutos. Presente na captura, inclusive, o mesmo agente que me denunciou por “colocar em sério risco a segurança” (sic) quando em outra crônica falei de câmeras que não funcionariam, mas que nem naquele edifício estariam instaladas. Coitado do dono do carneiro. Um zeloso supervisor deve tê-lo crucificado na comunicação que certamente fez a seus superiores.

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