Sete partidos de esquerda aliados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgaram nesta quarta-feira (23) um manifesto em defesa do Supremo Tribunal Federal (STF), após o Governo dos Estados Unidos anunciar sanções contra oito dos onze ministros da Corte brasileira. O documento expressa "solidariedade aos magistrados e classifica as sanções como uma interferência externa indevida na soberania do país".
Assinam o texto os partidos PT, PSB, PDT, PSOL, PCdoB, PV e Cidadania. As siglas afirmam que os ministros foram penalizados "pelo desempenho de suas funções constitucionais", em uma atitude que consideram sem precedentes nas relações entre Brasil e EUA. “Manifestamos irrestrita solidariedade aos ministros do STF, ao mesmo tempo em que reafirmamos a defesa irrenunciável da soberania nacional e das nossas instituições”, diz o manifesto.
Sanções e crise diplomática
As sanções foram anunciadas pelo secretário de Estado norte-americano Marco Rubio e incluem a revogação dos vistos de entrada nos EUA de oito ministros do Supremo. A decisão é vista como um gesto político de Washington, especialmente diante da crescente aproximação do Governo Trump com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), adversário direto do presidente Lula.
Desde o dia 7 de julho, integrantes do Governo Trump têm intensificado críticas ao STF e manifestado apoio ao ex-presidente brasileiro, atualmente réu na Corte por suspeita de tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A retórica norte-americana classifica os processos judiciais contra Bolsonaro como uma “caça às bruxas”. Como parte dessa escalada, Trump anunciou, no último dia 9, a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, com início previsto para 1º de agosto.
Medidas contra Bolsonaro e acusação de obstrução
Em 18 de julho, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso de Bolsonaro, determinou medidas cautelares contra o ex-presidente, entre elas: Uso de tornozeleira eletrônica; Recolhimento domiciliar noturno; Proibição de uso e veiculação de entrevistas em redes sociais; Proibição de contato com autoridades estrangeiras e outros investigados.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa Bolsonaro de tentar obstruir o processo judicial por meio de pressões políticas e econômicas nas relações entre Brasil e Estados Unidos.