O ex-presidente Michel Temer divulgou um pronunciamento nessa quarta-feira (23) em que faz um apelo por “diálogo” e “bom senso” entre as autoridades brasileiras e norte-americanas, no intuito de buscar uma solução para a crise causada pelo tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros e pela suspensão de vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), imposta pelo governo de Donald Trump .
“Em momentos sombrios, sejamos sóbrios”, afirmou o ex-presidente.
Temer lembrou que, ao longo do tempo, sempre defendeu a pacificação do país. “Em momentos em que nada parece estar favorável, em que tudo parece se distanciar de uma solução, de estarmos debaixo de uma tempestade, é hora de procurar abrigo no porto seguro do diálogo”, disse.
O ex-mandatário se declarou “entristecido” com a imposição das tarifas sobre os produtos brasileiros e criticou a “lamentável eliminação de vistos dos ministros da Suprema Corte” pelo Governo Trump, classificando o ato como “injustificável e inadmissível”.
Sem mencionar diretamente o presidente Lula, que tem adotado um tom mais combativo ao tratar da relação com os Estados Unidos, especialmente em eventos políticos, Temer afirmou que essas “inadequações” na relação bilateral “não se resolvem com bravatas, com ameaças, com retruques, com agressões”.
“Vivemos um momento em que a ação responsável e a experiência não podem ser esquecidas. Mas praticadas”, acrescentou. “O bom senso e o cálculo estratégico devem prevalecer, sem jamais partir para um confronto que transforme a situação em uma briga de rua: de brasileiros contra brasileiros, de país contra país”, concluiu o ex-presidente.
Leia o pronunciamento de Temer:
Ao longo do tempo sempre pregamos a pacificação do país.
Em momentos em que nada parece estar favorável, em que tudo parece se distanciar de uma solução, de estarmos debaixo de uma tempestade, é hora de procurar abrigo no porto seguro do diálogo.
Na turbulência, mais do que nunca, é que devemos buscar entendimento, construir consensos, buscar convergências, união. Respirar respeito.
É isso que mantem a democracia viva e um país soberano.
E tudo isso deve começar dentro de casa para, depois, atravessar fronteiras.
Digo isso entristecido com a taxação despropositada imposta aos nossos produtos e pela lamentável eliminação de vistos dos ministros da Suprema Corte, o que é injustificável e inadmissível.
São inadequações que não se resolvem com bravatas, com ameaças, com retruques, com agressões.
Resolve-se pelo diálogo que se faz entre nações, especialmente nações parceiras.
E o diálogo se faz pelos mais variados meios: pela diplomacia tradicional, pelo contato dos legislativos e, naturalmente, pela interlocução entre os chefes dos respectivos governos.
É difícil? No caso, pode ser. Mas não pode deixar de ser tentado.
Vivemos um momento em que a ação responsável e a experiência não podem ser esquecidas. Mas praticadas.
Em momentos sombrios, sejamos sóbrios.
O bom senso e o cálculo estratégico devem prevalecer, sem jamais partir para um confronto que transforme a situação em uma briga de rua: de brasileiros contra brasileiros, de país contra país.
Devemos agir e reagir como uma nação livre e soberana que somos.
Sem excessos, de ambas as partes, e sempre rigorosamente guiados pelos tratados internacionais e pela nossa constituição.
É o meu desejo.
Obrigado e um mundo melhor para todos.”