A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (15), a Operação Sem Refino, que investiga um conglomerado do setor de combustíveis suspeito de utilizar uma sofisticada estrutura empresarial e financeira para esconder patrimônio, disfarçar bens e enviar recursos ao exterior. Entre os alvos da ação está o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro . A Justiça autorizou o bloqueio de cerca de R$ 52 bilhões em ativos financeiros dos investigados, além da suspensão das atividades econômicas das empresas envolvidas. O montante está entre os maiores já bloqueados em operações conduzidas pela Polícia Federal.

Ao todo, agentes federais cumprem 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de funções públicas nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e no Distrito Federal. As determinações judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As investigações também levaram à inclusão de um dos alvos na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo usado para localização e prisão internacional de foragidos.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Governador Cláudio Castro

De acordo com a Polícia Federal, as apurações apontaram possíveis fraudes tributárias, ocultação de patrimônio e irregularidades envolvendo a operação de uma refinaria ligada ao grupo econômico investigado. A operação faz parte das investigações relacionadas à ADPF 635/RJ, que apura a atuação de organizações criminosas e possíveis ligações com agentes públicos no estado do Rio de Janeiro. A Receita Federal presta apoio técnico às diligências.

Nas primeiras horas da manhã, viaturas da Polícia Federal foram vistas no condomínio onde Cláudio Castro reside, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. A ofensiva acontece em meio ao agravamento da crise política envolvendo o ex-governador. Castro deixou o cargo em 23 de março, um dia antes da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral, que terminou com sua inelegibilidade por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.

Com a saída do cargo, a cassação do mandato acabou considerada prejudicada pela Corte eleitoral, abrindo uma disputa jurídica no Supremo sobre a escolha do governador interino que ficará à frente do estado até as eleições de outubro. Atualmente, o governo fluminense está sob comando provisório do presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto. Mesmo fora do Palácio Guanabara, Cláudio Castro segue atuando nos bastidores políticos e pretende disputar uma vaga no Senado nas eleições deste ano.

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