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Nubank demite funcionários após reação contrária ao fim do home office

Segundo a fintech, o novo formato híbrido entrará em vigor a partir de 1º de julho de 2026.

O Nubank, que recentemente assumiu o posto de empresa mais valiosa do Brasil, enfrenta uma crise interna após anunciar o fim do modelo 100% remoto de trabalho. A decisão, comunicada em uma reunião virtual com milhares de funcionários na última quinta-feira (6/11), provocou reações intensas e acusações de desrespeito, levando à demissão de 12 colaboradores no dia seguinte.

Segundo a fintech, o novo formato híbrido entrará em vigor a partir de 1º de julho de 2026, quando 70% da equipe deverá comparecer presencialmente duas vezes por semana. A partir de janeiro de 2027, a frequência aumentará para três dias semanais. Atualmente, os cerca de 9,5 mil funcionários do banco digital trabalham presencialmente apenas uma semana por trimestre.

Foto: Marcelo Cardoso/GP1Cartão Nubank
Cartão Nubank

A mudança havia sido antecipada por e-mail, assinado pelo CEO David Vélez, que reconheceu o potencial de “disrupção” entre os funcionários com o novo modelo. Ainda assim, a decisão causou grande insatisfação interna.

Reunião tensa e demissões

Cerca de 7 mil funcionários participaram da reunião, a maioria por meio do Zoom. Durante o encontro, diversos colaboradores protestaram contra a mudança, e o ambiente acabou marcado por discussões acaloradas e trocas de insultos.

O episódio foi analisado pelo Comitê de Conduta da empresa, que concluiu que houve violações das normas internas. Em comunicado enviado por e-mail, o Nubank afirmou que 12 funcionários foram desligados e que outros receberam advertências formais.

“Foi uma decisão difícil, mas nós impusemos um limite do que é desrespeito e agressão”, dizia o texto encaminhado aos colaboradores.

Reclamações sobre distância e desigualdade regional

Após o episódio, surgiram discussões em fóruns internos do banco. Parte dos colaboradores alegou ter sido pegue de surpresa com a mudança e afirmou que o retorno presencial prejudica quem mora fora do Sudeste, onde se concentram os principais escritórios do Nubank.

Funcionários relataram também que muitos se mudaram durante o período de home office e agora vivem em cidades distantes das unidades físicas, o que tornaria inviável a nova rotina de trabalho.

Expansão e novos escritórios

Em resposta às críticas, o Nubank anunciou planos de expansão de suas unidades físicas para acomodar o aumento de funcionários presenciais. A fintech mantém hoje escritórios em São Paulo, Cidade do México e Bogotá, além de “hubs de talentos” em Montevidéu, Berlim e Durham (EUA).

Nos próximos anos, estão previstas novas unidades em Campinas, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Buenos Aires, Washington, Miami e Palo Alto.

A empresa ressaltou ainda que algumas funções continuarão em regime remoto, especialmente cargos com baixa necessidade de interação presencial, como atendimento ao cliente, ouvidoria, compliance e análise de dados.

O que diz o Nubank

Em nota, o Nubank afirmou que incentiva o debate interno, mas não tolera comportamentos agressivos.

“O Nubank trabalha para preservar canais e rituais abertos para o livre debate entre seus funcionários, mas não tolera desrespeito e violações de conduta”, informou a empresa, que evitou comentar casos individuais de desligamento.

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