Fechar
GP1

Brasil

Esquerda comemora prisão de Bolsonaro: “recomeço para o Brasil”

Prisão desencadeou uma série de manifestações de apoio à medida entre lideranças da esquerda

A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), decretada pelo ministro Alexandre de Moraes e cumprida pela Polícia Federal na manhã deste sábado (22), desencadeou uma série de manifestações de apoio à medida entre lideranças da esquerda no Congresso. Bolsonaro foi detido por volta das 6h35 e levado para a Superintendência da PF em Brasília. A ordem judicial não marca o início do cumprimento da pena de 27 anos e três meses pela tentativa de golpe de Estado, já que esse julgamento ainda não foi concluído no Supremo Tribunal Federal (STF), mas sim uma medida cautelar baseada no risco identificado pelas autoridades.

Entre os primeiros a se pronunciar, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do PT na Câmara, afirmou que Bolsonaro mantinha esforços para acirrar tensões políticas mesmo em prisão domiciliar. Segundo ele, a mobilização de apoiadores diante da residência do ex-presidente buscava criar clima de intimidação contra o STF e a Polícia Federal, o que poderia resultar em tumultos e dificultar a execução de decisões judiciais. Lindbergh destacou que, para os parlamentares governistas, o ambiente exigia resposta institucional imediata.

Foto: Marcelo Camargo/Agência BrasilJair Bolsonaro
Jair Bolsonaro

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), classificou a detenção como um momento de peso histórico e disse que aqueles que atentaram contra a democracia terão de responder pelos atos cometidos. Para Guimarães, a decisão judicial está sustentada na preservação da ordem pública e busca impedir novas iniciativas que possam interferir nas investigações em andamento. Ele ressaltou que, a partir de agora, o ex-presidente permanecerá detido enquanto os processos seguem tramitação no Supremo.

Figuras tradicionais da esquerda também se manifestaram, entre elas o ex-ministro José Dirceu, que afirmou que o país atravessa “um recomeço”, ao mencionar que, para ele, “o chefe da tentativa de golpe” está preso. Já o ex-deputado Marcelo Freixo (PT-RJ) elogiou a atuação da Polícia Federal no cumprimento da ordem judicial. Freixo citou a convocação de uma vigília por Flávio Bolsonaro e a fuga do ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, como fatores que teriam ampliado o entendimento sobre risco de fuga e instabilidade.

A líder da bancada do PSOL, Talíria Petrone (RJ), disse ter sido surpreendida pela notícia nas primeiras horas do dia e comentou que “o Brasil sorri”. Ela mencionou a proximidade da residência de Bolsonaro com embaixadas que poderiam, hipoteticamente, ser usadas como refúgio, além da tentativa de rompimento da tornozeleira eletrônica registrada na noite anterior, o que acendeu alerta entre investigadores e ministros do STF. Outras parlamentares, como Erika Hilton (SP) e Érika Kokay (PT-DF), também comemoraram o episódio, mencionando impactos atribuídos ao governo Bolsonaro em temas como pandemia, direitos de minorias e violência política.

Entre manifestações de outros partidos alinhados à esquerda, o deputado Túlio Gadelha (Rede-PE) ironizou os filhos do ex-presidente ao mencionar que ações recentes resultaram na tornozeleira eletrônica e, agora, na prisão preventiva. Segundo ele, são consequências de um modo de atuação política que utilizou elementos religiosos para mobilizar apoiadores. Parlamentares como Rui Falcão (PT-SP) e Orlando Silva (PCdoB-SP) também classificaram o dia como simbólico do ponto de vista político e institucional.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não se posicionou sobre a prisão. Ele participa, na África do Sul, da Cúpula do G20, onde cumpre agenda internacional desde a noite de sexta-feira (21). A expectativa é que um eventual pronunciamento ocorra após o encerramento das reuniões bilaterais previstas para o fim de semana.

Mais conteúdo sobre:

Ver todos os comentários   | 0 |

Facebook
 
© 2007-2026 GP1 - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do GP1.