O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), criou uma secretaria estadual exclusiva para tratar da construção da ponte Salvador–Ilha de Itaparica, considerada a maior ponte sobre lâmina d’água da América Latina. A obra é de responsabilidade de um consórcio chinês e enfrenta atrasos desde a assinatura do contrato.
A nova pasta, batizada de Secretaria Extraordinária do Sistema Viário Oeste Ponte Salvador-Itaparica, será responsável por coordenar a execução da obra, o sistema viário no entorno da ponte e atuar na resolução de entraves que têm retardado o início da construção.
Segundo o governo estadual, o custo da secretaria em 2025 será de aproximadamente R$ 1,4 milhão. Para 2026, a previsão é de gasto de R$ 5,1 milhões, valor destinado, principalmente, a despesas com pessoal. Ao todo, foram criados 33 cargos.
Ao justificar a criação da pasta, Jerônimo Rodrigues afirmou que o empreendimento vai além da construção da ponte. “Estamos falando de um sistema viário, um novo vetor de acesso, de desenvolvimento, de turismo. A ponte será um dos maiores projetos dos últimos 40, 50 anos realizados na América Latina, mas não será só a ponte”, declarou. A secretaria terá caráter temporário e, conforme o governo, deverá ser extinta após a conclusão da obra e o início da gestão da ponte pela concessionária.
Novo secretário
O comando da pasta ficará com Mateus Dias, que já atuava em projetos ligados à infraestrutura do empreendimento na Superintendência de Planejamento e Logística de Transporte e Intermodalismo da Secretaria de Infraestrutura do Estado (Seinfra).
Segundo o secretário, a prioridade é garantir estudos técnicos para uma construção segura e com o menor impacto possível. “Nossa prioridade é garantir uma estrutura resistente, que conecte a capital baiana à Itaparica e outros municípios, evitando a passagem por comunidades, áreas de proteção ambiental e interferências em corpos hídricos”, afirmou.
Obra bilionária
Assinado em 2020, o contrato previa inicialmente um custo de R$ 5,3 bilhões para a construção da ponte, que terá 12,4 quilômetros de extensão sobre a Baía de Todos-os-Santos. No entanto, em razão da pandemia de Covid-19, o consórcio formado pelas empresas chinesas China Railway 20th Bureau Group Corporation (CR20) e China Communications Construction Company (CCCC) solicitou a atualização do valor.
Em fevereiro deste ano, o Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) homologou acordo entre o consórcio e o governo estadual, elevando o custo total da obra para R$ 10,4 bilhões. Desse montante, o Estado da Bahia aportará R$ 5,047 bilhões, além de uma contraprestação anual de R$ 371 milhões nos primeiros dez anos de operação plena e R$ 170 milhões nos 19 anos seguintes.
Até o momento, a construção da ponte ainda não foi iniciada. A concessionária concluiu a etapa de sondagem geotécnica na Baía de Todos-os-Santos, trabalho que durou 12 meses. Atualmente, estão em fase final o projeto das fundações da ponte e a mobilização dos canteiros de obras, um deles previsto para funcionar no estaleiro São Roque do Paraguaçu, em Maragogipe, de propriedade da Petrobras e atualmente desativado.
A previsão é que a ponte fique pronta apenas após 2030. A expectativa do governo é reduzir o tempo de deslocamento entre Salvador e a Ilha de Itaparica para cerca de 15 minutos. Atualmente, a travessia leva aproximadamente uma hora por ferry-boat ou até quatro horas por rodovia.
Sistema viário
Além da ponte, o projeto prevê a implantação e melhoria de acessos viários para facilitar o fluxo de veículos. O empreendimento está dividido em cinco trechos: acessos viários em Salvador; ponte Salvador–Ilha de Itaparica; chegada da ponte à ilha; construção de nova variante rodoviária em Mar Grande; e recuperação e ampliação de trecho da BA-001, até as proximidades de Cacha Prego, na cabeceira da Ponte do Funil.
Izabella Furtado
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