A Justiça do Distrito Federal condenou, nessa quarta-feira (17), o advogado Frederick Wassef por ofensas raciais dirigidas a uma atendente de pizzaria em Brasília. Ele foi sentenciado a 1 ano e 9 meses de prisão, pena que foi convertida em prestação de serviços alternativos, além de indenização de R$ 6 mil por danos morais, valor que será corrigido com juros. Wassef ainda pode recorrer da decisão.
De acordo com o processo, Wassef teria chamado a funcionária de “macaca” após se incomodar com o sabor de uma pizza. Após uma discussão sobre a qualidade do produto, o advogado se exaltou.
“Você é uma macaca, você come o que te derem”, disse ele, segundo a denúncia.
Wassef, que já representou a família Bolsonaro, sempre negou todas as acusações. Ele afirmou que a atendente não seria negra e que teria sido contratada para inventar a história, assim como as testemunhas que se apresentaram.
A denúncia do Ministério Público foi feita após relato da atendente, que tinha 18 anos na época dos fatos, ocorridos em novembro de 2020. Ao julgar o caso, o juiz Omar Dantas Lima, da 3ª Vara Criminal de Brasília, considerou que o insulto atingiu a dignidade da vítima.
“A expressão macaca, tão bem retratada na prova oral, carrega intenso desprezo e escárnio. A palavra proferida é suficiente para retratar a intenção lesiva”, afirmou o juiz.
Na época, Wassef se defendeu por meio de uma nota à imprensa. Confira:
"Não tenho conhecimento de indiciamento. Não ofendi a funcionária do Pizza Hut e ela não é negra. Ela se fez passar por negra e mentiu sobre tudo o que disse. Sou vítima do crime de denunciação caluniosa. Peticionei no inquérito requerendo que eu fosse intimado para depor e provar que eu sou a verdadeira vítima desta farsa montada. Também pedi na petição as imagens do circuito interno de segurança e estou aguardando a intimação para mostrar o crime que sofri. Me causa estranheza indiciar uma pessoa desta forma, sem ouvir a outra versão e antes de finalizar as investigações sem elementos de prova."
Caroline Vitorino
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