O Brasil lidera o ranking mundial de supersalários no serviço público, segundo um estudo do Movimento Pessoas à Frente em parceria com a República.org. A pesquisa analisou dados de dez países – entre eles Argentina, Estados Unidos, Alemanha, Chile, França e Reino Unido – e apontou que nenhum deles concentra tantos pagamentos acima do teto constitucional quanto o Brasil.
Em apenas um ano, foram desembolsados cerca de R$ 20 bilhões em remunerações que ultrapassam os R$ 46.366,19, valor máximo permitido e equivalente ao salário de um ministro do STF. Ao todo, 53,5 mil servidores — entre ativos e inativos — recebem acima desse limite, número muito superior ao de países como Argentina (27 mil) e Estados Unidos (4.081). Nas nações que não possuem teto, o estudo utilizou como parâmetro o salário de presidentes e primeiros-ministros, e mesmo assim o Brasil permaneceu isolado no topo.
A magistratura aparece como a carreira mais beneficiada: 21 mil juízes acumulam juntos R$ 11,5 bilhões em vencimentos que superam o teto. Também entraram na análise as remunerações de estruturas do Executivo federal, como AGU, Banco Central e Forças Armadas, além de órgãos como Câmara dos Deputados, Senado, TCU, DPU, e governos estaduais de São Paulo e Minas Gerais.
Para Jessika Moreira, diretora-executiva do Movimento Pessoas à Frente, a desigualdade tem origem na força política de determinadas carreiras. “Quando olhamos para esses supersalários concentrados em poucos grupos, percebemos que são áreas mais estruturadas, com maior influência e que acabam absorvendo mais recursos públicos para inflar suas remunerações”, afirmou ao Estadão.
O estudo mostra ainda que aproximadamente 40 mil servidores com supersalários estão entre o 1% mais rico do Brasil, com renda anual superior a R$ 685 mil; outros 9 mil ultrapassam R$ 1,2 milhão por ano. Enquanto isso, “mais da metade dos servidores públicos do país ganha até R$ 3,3 mil, principalmente nos municípios”, destaca Jessika.
Em nota, o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos informou que apenas cerca de 1% dos 1,2 milhão de servidores ativos e inativos recebe acima do teto e que esses valores se referem, majoritariamente, a parcelas de caráter indenizatório.
Rodrigo Mendes
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