O ex-ministro e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), voltou a chamar atenção no cenário político nacional após comentar, nas redes sociais, a decisão dos Estados Unidos de elevar em até 50% as tarifas sobre produtos brasileiros. A medida, anunciada recentemente, provocou reações de lideranças tanto do governo quanto da oposição.
Em vídeo publicado no último dia 18, Ciro criticou a resposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à decisão americana, ao mesmo tempo em que fez ressalvas à condução política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados. “Devemos aceitar passivamente a violência econômica imposta a nós pelo estrangeiro? Claro, óbvio que não”, afirmou. Na mesma gravação, ele declarou que há uma grande distância entre rejeitar a medida e “celebrar os supostos benefícios eleitorais de curto prazo”, como classificou a reação do atual governo. A declaração teve ampla repercussão nas redes sociais e recolocou o nome de Ciro Gomes no centro das discussões sobre o futuro político do país.
Embora tenha afirmado, após as eleições de 2022, que não pretende disputar novos cargos, Ciro já admite, em conversas reservadas, a possibilidade de se candidatar novamente, caso surja uma alternativa viável fora da polarização entre Lula e Bolsonaro. Durante um evento político em Fortaleza, em maio, ele reafirmou publicamente: “Alguns amigos muito generosos lembram o meu nome, mas não pretendo mais ser candidato a nada”.
A pouco mais de um ano das eleições de 2026, Ciro estaria dialogando com lideranças do PSDB para um possível retorno ao partido, do qual se afastou em 1996. A movimentação ocorre em meio a incertezas no PDT, legenda que, segundo dirigentes, tende a apoiar a reeleição do presidente Lula.
Aliados próximos avaliam que o cenário atual pode favorecer a construção de uma candidatura alternativa à polarização, especialmente após pesquisas recentes apontarem queda na aprovação de Bolsonaro e oscilação na popularidade do Governo Lula. No PSDB, que tenta se reestruturar após o insucesso na tentativa de fusão com o Podemos, o nome de Ciro Gomes é visto por parte da sigla como uma possível aposta para as eleições de 2026, seja para a Presidência da República ou para o Governo do Ceará, cargo que já ocupou entre 1991 e 1994.
Izabella Furtado
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