O ministro do Turismo, Celso Sabino (União Brasil), comunicou por telefone ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sua intenção de deixar o cargo. A ligação, que durou quase uma hora, terminou com o acerto de que os dois voltarão a se reunir nesta sexta-feira (19) para tratar do assunto, segundo informou a CNN Brasil.
Também hoje, Sabino tem encontro marcado com o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, e com a cúpula da sigla. Rueda já havia dado um ultimato ao ministro nesta quinta-feira (18), exigindo que ele deixasse a pasta em até 24 horas; antes, o prazo estipulado era até o fim do mês.
Atualmente, Sabino é o único ministro do governo filiado ao União Brasil. Já Waldez Góes (Integração Nacional) e Frederico Siqueira (Comunicações), ligados ao senador Davi Alcolumbre (União-AP), não seriam atingidos pela decisão, já que não integram formalmente o partido. A legenda argumenta que só pode cobrar posições de seus filiados.
Pressões e resistência
A saída de Sabino ganhou força após as acusações de Rueda, que responsabilizou o governo Lula por supostos vazamentos sobre uma investigação da Polícia Federal em que seu nome apareceria. O inquérito apura suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em setores financeiros e de combustíveis. O dirigente, no entanto, nega qualquer envolvimento.
Mesmo reconhecendo que deve deixar o ministério, Sabino resiste ao prazo imposto pelo União e busca permanecer no governo ao menos até a realização da COP30, prevista para novembro.
Essa não é a primeira crise entre o partido e o Planalto. Em abril, o deputado Juscelino Filho (União-MA) deixou o Ministério das Comunicações após denúncias de irregularidades em emendas, o que ele nega. Na ocasião, o governo tentou nomear Pedro Lucas (União-MA) para o cargo, mas a direção do União vetou a indicação.
Rodrigo Mendes
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