Os governadores têm reforçado o apoio à comunidade judaica, enquanto a Presidência da República, liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tem se distanciado cada vez mais de Israel. Recentemente, autoridades israelenses criticaram o mandatário petista, após o governo brasileiro deixar a Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA).
A ação foi vista em Jerusalém como um afastamento do país no combate ao antissemitismo. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, publicou no X em 26 de agosto que o petista se revelou “antissemita declarado e apoiador do Hamas”. Na postagem, o ministro fez uma montagem feito por inteligência artificial em que associa Lula ao líder supremo do Irã, Ali Khamenei.
Em resposta, o Itamaraty classificou as declarações como “ofensas, inverdades e grosserias inaceitáveis”, pois a decisão de deixar o IHRA partiu da avaliação que o antissemitismo estava sendo usado para restringir críticas à política de Israel. Segundo o assessor presidencial Celso Amorim, “qualquer defesa da Palestina” era associada a antissemitismo.
No sentido contrário à Presidência, em 2024 o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) assinou adesão do Estado de São Paulo à IHRA. Posteriormente, em janeiro deste ano, Romeu Zema, governador de Minas Gerais, e Eduardo Leite, governado do Rio Grande do Sul, também aderiram à iniciativa.
“Em um momento em que vemos o aumento de manifestações de ódio e intolerância no mundo, precisamos ser firmes na defesa do respeito e da dignidade humana”, afirmou Leite em cerimônia.
Atualmente, 12 estados brasileiros já aderiram à aliança, usada como referência internacional para identificar e prevenir manifestações antissemitas. Desde o início do conflito entre Israel e Hamas em outubro de 2023, a Confederação Israelita do Brasil (Conib) em parceria com a Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fiesp), apontou que as denúncias de antissemitismo aumentaram quase 600%.
Carolina Matta
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