O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), se manifestou neste domingo (7) sobre os ataques direcionados à Corte e negou que exista no país uma “ditadura da toga”. Em mensagem divulgada no Dia da Independência, o magistrado destacou que a liberdade se fortalece justamente por meio das instituições democráticas.
“Não há no Brasil ‘ditadura da toga’, tampouco ministros agindo como tiranos. O STF tem cumprido seu papel de guardião da Constituição e do Estado de Direito, impedindo retrocessos e preservando as garantias fundamentais”, declarou.
Na nota, Gilmar também mencionou episódios recentes que, segundo ele, representaram ameaças ao regime democrático, como a condução da pandemia de Covid-19, quando milhares de pessoas morreram e vacinas foram negligenciadas por autoridades, além de ataques ao sistema eleitoral, pedidos de intervenção militar e a tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.
No Dia da Independência, é oportuno reiterar que a verdadeira liberdade não nasce de ataques às instituições, mas do seu fortalecimento. Não há no Brasil “ditadura da toga”, tampouco ministros agindo como tiranos. O STF tem cumprido seu papel de guardião da Constituição e do…
— Gilmar Mendes (@gilmarmendes) September 7, 2025
Para o ministro, o que o país não pode mais tolerar são as recorrentes tentativas de ruptura institucional. “Crimes contra o Estado Democrático de Direito são insuscetíveis de perdão e devem ser punidos com rigor”, afirmou, numa referência indireta ao projeto de anistia que tramita no Congresso Nacional.
A declaração ocorre no mesmo dia em que atos em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reuniram milhares de pessoas em quase cem cidades brasileiras. Em São Paulo, os manifestantes se concentraram na Avenida Paulista sob o lema “Reaja, Brasil: o medo acabou”, pedindo anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro e o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, colega de Gilmar no STF.
Durante os discursos, lideranças políticas e religiosas direcionaram críticas à Corte. O pastor Silas Malafaia acusou Moraes de agir como “ditador da toga”, enquanto o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) afirmou que o ministro comete “crimes reiterados”. O ex-procurador Deltan Dallagnol também reforçou o discurso contra o Supremo, alegando que “o Brasil quer o fim da ditadura de toga”.
O ato contou ainda com a presença da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e de parlamentares de oposição, todos em defesa da anistia e em apoio ao ex-presidente, que responde a processos no STF.
Carolina Matta
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