A Polícia Federal (PF) pediu a suspeição do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no caso que investiga irregularidades envolvendo o Banco Master. O pedido foi motivado pela descoberta de mensagens do ministro no aparelho celular do banqueiro Daniel Vorcaro, apreendido durante a Operação Compliance Zero.
De acordo com informações divulgadas inicialmente pelo portal UOL, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, levou na segunda-feira (9) ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, um pedido para a realização de novas diligências com base nas provas encontradas.
Segundo fontes da PF, outras autoridades com prerrogativa de foro também estariam envolvidas nas conversas encontradas no celular de Vorcaro. A corporação aguarda agora um encaminhamento técnico e jurídico para dar prosseguimento às três frentes de investigação abertas a partir das novas evidências.
A reunião entre Andrei Rodrigues e Edson Fachin constou na agenda oficial do diretor-geral da PF no início da semana. Os novos achados incluem uma série de mensagens trocadas entre Vorcaro e Toffoli, que indicariam proximidade entre o banqueiro e o ministro.
Lacração de provas e controle da investigação
Relator do caso desde que foi identificado o envolvimento de pessoas com foro privilegiado, Dias Toffoli determinou, em meados de janeiro, que todos os materiais apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero fossem enviados ao STF de forma lacrada e sob custódia.
Entre os itens estava o celular de Daniel Vorcaro, cujo conteúdo só pôde ser acessado recentemente após a quebra da criptografia. Após pedidos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR), o ministro autorizou o envio do material para análise do Ministério Público.
Desde que assumiu o caso, Toffoli impôs sigilo máximo às investigações e condicionou a realização de diligências à sua autorização prévia, o que gerou desconfiança entre investigadores.
Relações e críticas ao ministro
O ministro passou a ser alvo de questionamentos após vir a público que viajou ao Peru em um jatinho particular acompanhado do advogado de um dos diretores do Banco Master. Além disso, familiares de Toffoli teriam sido sócios em um resort de luxo com fundos ligados ao banco de Daniel Vorcaro.
Diante das críticas, Toffoli chegou a cogitar, no início do mês, o desmembramento do inquérito, com o envio de parte das investigações para a primeira instância da Justiça.
Nos últimos anos, o ministro também declarou a nulidade de atos da Operação Lava Jato envolvendo nomes como o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o empresário Marcelo Odebrecht e o doleiro Alberto Youssef, o que reforçou debates sobre sua atuação em casos sensíveis.
Evento patrocinado pelo Banco Master
Em maio de 2024, Dias Toffoli participou do 1º Fórum Jurídico – Brasil Ideias, realizado em Londres, evento que teve o Banco Master entre seus patrocinadores. O encontro contou ainda com a presença dos ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.
A participação do banco no patrocínio do evento voltou a ser lembrada após as revelações envolvendo as mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro.
A Polícia Federal segue aguardando definições do STF para dar continuidade às investigações, enquanto o pedido de suspeição de Toffoli permanece em análise.
Caroline Vitorino
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