O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu elevar o imposto de importação sobre celulares e outros produtos de tecnologia como forma de frear o avanço de itens estrangeiros no mercado brasileiro. A medida, anunciada pelo Ministério da Fazenda, reajusta as alíquotas em até 7,2 pontos percentuais e alcança mais de mil produtos, entre eles máquinas, equipamentos, bens de informática e dispositivos de telecomunicações. A justificativa oficial é conter o que foi classificado como risco de “colapso” da indústria nacional diante do aumento da dependência externa.
O ato foi assinado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que também comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). Segundo o governo, as importações desses itens cresceram 33,4% desde 2022, elevando a participação de produtos estrangeiros para mais de 45% do consumo interno até dezembro do ano passado. Para a equipe econômica, esse nível de penetração ameaça a cadeia produtiva local e pode provocar retrocessos tecnológicos de difícil reversão.
Dados oficiais indicam que os principais fornecedores desses produtos ao Brasil são os Estados Unidos, responsáveis por 34,7% das vendas e US$ 10,18 bilhões exportados, seguidos pela China, com 21,1% e US$ 6,18 bilhões. Singapura e França aparecem na sequência.
Apesar do aumento das tarifas, empresas poderão solicitar redução temporária da alíquota para zero até 31 de março, com autorizações provisórias de até 120 dias. O governo avalia que o impacto sobre a inflação será limitado, uma vez que parte dos produtos atingidos é utilizada como insumo e conta com regimes especiais que reduzem a carga efetiva.
Caroline Vitorino
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