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OAB pede ao ministro Fachin encerramento do inquérito das fake news de Toffoli e Moraes

O inquérito foi aberto em março de 2019 pelo então presidente do STF, Dias Toffoli.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) solicitou, nesta segunda-feira (23), ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, o encerramento do chamado “inquérito das fake news”, instaurado em 2019 e que já se estende por quase sete anos.

A manifestação reacende o debate sobre os limites constitucionais das investigações conduzidas pela própria Corte e sobre a duração prolongada de procedimentos sem prazo definido.

Foto: Marcelo Camargo/Agência BrasilClasse dos advogados expressa "extrema preocupação" principalmente após novas ações de Moraes dentro do inquérito
Classe dos advogados expressa "extrema preocupação" principalmente após novas ações de Moraes dentro do inquérito

O inquérito foi aberto em março de 2019 pelo então presidente do STF, Dias Toffoli, que designou o ministro Alexandre de Moraes como relator, com base em interpretação do regimento interno, para apurar ameaças e crimes contra ministros do tribunal.

Desde então, a investigação tem sido alvo de críticas de juristas e entidades, que questionam sua duração, abrangência e modelo de condução.

Pedido após nova operação

O pedido da OAB ocorre após Moraes autorizar uma operação de busca e apreensão contra servidores da Receita Federal do Brasil, suspeitos de acessar e vazar dados sigilosos relacionados a familiares de ministros do STF.

No documento encaminhado a Fachin, a entidade pede providências para a conclusão de “inquéritos de natureza perpétua”, afirmando que procedimentos com escopo indefinido e prolongamento excessivo perdem delimitação material e temporal.

“A lógica constitucional do inquérito é a investigação de fatos determinados, e não a ampliação contínua de seu objeto”, destacou a OAB.

Preocupação institucional

O ofício, assinado pela diretoria nacional e pelos presidentes das seccionais estaduais, afirma que a entidade tem “extrema preocupação institucional” com investigações de longa duração.

Segundo a OAB, o cenário atual exige estabilidade e pacificação institucional. “O Brasil não suporta mais viver sob tensão permanente”, diz o documento, que aponta desgaste da confiança social e da autoridade constitucional dos Poderes.

A entidade também reforçou que a defesa da democracia deve estar associada ao respeito ao devido processo legal, à ampla defesa, à liberdade de expressão e às prerrogativas de advogados e jornalistas. Além disso, solicitou uma audiência com Fachin para apresentar seus argumentos.

Promessas de encerramento

Em ao menos duas ocasiões, há cerca de dois anos, o então presidente do STF, Luís Roberto Barroso, afirmou que o inquérito se aproximava do fim e que já teria cumprido seu papel na proteção das instituições.

Na época, Barroso declarou que a investigação poderia ser concluída “seja pelo arquivamento, seja pela denúncia”. No entanto, passados quase sete anos, o procedimento foi ampliado e segue em andamento.

Caso Banco Master

A mais recente fase do inquérito está relacionada à apuração de supostos vazamentos de dados ligados ao Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado pela Polícia Federal por suspeitas de fraudes financeiras.

Ministros do STF passaram a desconfiar de vazamentos após a divulgação de informações que indicariam ligações entre familiares de integrantes da Corte e o banco.

No caso de Alexandre de Moraes, veio à tona um contrato de R$ 129 milhões firmado por sua esposa, Viviane Barci de Moraes, para prestação de serviços advocatícios ao conglomerado.

Já em relação a Dias Toffoli, reportagens apontaram sua participação em uma empresa com irmãos que deteve cotas de um resort no interior do Paraná, negociadas com um fundo ligado ao banco e ao cunhado de Vorcaro, o pastor e empresário Fabiano Zettel.

Após a repercussão e pressão interna, Toffoli deixou a relatoria do caso no STF, que passou ao ministro André Mendonça.

Debate segue no STF

Com o pedido da OAB, cresce a pressão para que o Supremo reavalie a continuidade do inquérito das fake news. A entidade sustenta que, embora o combate a ataques institucionais seja legítimo, ele não pode ocorrer em detrimento das garantias constitucionais.

Agora, caberá à presidência do STF analisar a solicitação e decidir sobre os próximos passos do procedimento, que segue como um dos mais controversos da história recente da Corte.

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